Getúlio Vargas em CTV

No dia 13 de setembro de 1950, Getúlio Vargas veio a CTV: muito foguetório, discurso de Antônio Stocco, Galli, Adhemar de Barros, e o povo na rua como se acompanhasse procissão do Santíssimo. Nas eleições de retorno ao poder, os catanduvenses deram a Getúlio 3385 votos, 2069 a Eduardo Gomes e 964 a Cristiano Machado. Eduardo Gomes, apelidado de “brigadeiro”, participou quando moço da revolta dos 18 do Forte de Copacabana; foi preso, foi solto e, a seguir, trancafiado uma vez mais. Em 24, ele aderiu à coluna Prestes e, desse modo, colocou-se à esquerda, porque essa foi a orientação do movimento tenentista.Os tenentes de 30 foram socialistas. Em 1945, terminada a Segunda guerra, candidatou-se pela UDN (à direita, portanto) à presidência. Perdeu. Dado curioso da culinária é que, para angariar fundos para a campanha, auxiliares de Eduardo Gomes mandaram confeccionar e vender uns docinhos que passaram a ser chamados de “brigadeiro”. Em 1964, ele estacionou, de vez, na direita e apoiou o golpe. A política nacional sempre foi uma gangorra, cujo movimento oscilatório ora está à esquerda ora à direita, e os homens públicos aspirantes à política dançam conforme a música. CTV, por exemplo, arriba, no segundo período,com a nova política econômica de Vargas, mas, em 1932, muitos de nós vestimos a farda desengraçada do 32 e saímos por aí, peito estufado, dizendo uns versos bem quatrocentões e retrógrados. Vargas adiantou o relógio da história do País dum modo que só Fernando Henrique Cardoso soube fazer tão bem. Em 1950,fomos com Getúlio, mas já era tarde. 964 votos dados ao mineiro Cristiano Machado? Contrafação como essa repetiu-se há pouco com o moço posudo chamado Chalita. Todavia, por mais incrível que pareça, apesar dos 61 anos decorridos, Cristiano, derrotado, foi nomeado embaixador no Vaticano. Pares cum paribus facillime congregantur, quer dizer, Diga-me com que andas e eu direi quem és. Em agosto de 54, cometemos sui-parricídio, isto é, o suicídio foi também um ato parricida.Perdemos o pai que, por mais incrível que pareça, voltou travestido em Lula por artes do maquiador de campanha que o fez envelhecido e de voz soturna. O negro taludo que o penteia na foto é Gregório Fortunato que foi para a prisão incriminado de ter matado o major Vaz. Gregório foi morto no presídio e até hoje não encontraram o diário em que ele anotava algumas lembranças incômodas.

Luiz Roberto Benatti

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