Museu pró-puer/Pinacoteca/Castelinho I

museuAs diferentes manifestações de Arte deveriam ser filtradas por programas de reeducação dos sentidos, bem conduzidos, de tal modo que o educador, ao observar a criança ou o adolescente, pudesse dar-se conta tanto de seu interesse na exposição, quanto do entendimento do que está sendo dito. A par do que seja, de fato, a Arte de nossos dias, o educador, no primeiro encontro da Pinacoteca/Castelinho, deveria propor como assunto da aula os temas escolhidos pelo artista, com a necessária distinção entre tema elevado e tema rebaixado. Surpreso, ele vai-se dar conta de que nas garatujas da escola ou da casa a criança rabisca no papel os objetos à sua volta, coisas do dia-a-dia ou da rua independentemente de saber se estariam ou não num quadro revestido de “nobreza”. Por que, p.ex., deveria o pintor contemporâneo esboçar no quadro um tacho de cobre ou uma ânfora e não o tênis? A resposta para a pergunta é que esse pintor educou seu olhar para incorporar à tela tacho de cobre ou ânfora e não um par de tênis, porque o tênis é um objeto rebaixado. Rebaixado, apesar do preço; rebaixado, apesar de os tachos e as ânforas não fazerem mais parte do mundo em que vivemos. O Museu pró-puer gostaria de trazer de volta para o mundo contemporâneo crianças e adultos. Arikha Avigdor pintou suas meias de algodão numa tela bastante singela. Deveríamos mostrar aos novos alunos que, treinados, os elefantes tornam-se muito bons pintores e que, graças às suas circunvoluções cerebrais, eles não são figurativos, apesar de as suas “abstrações” lembrarem objetos do dia-a-dia, como as meias de Avigdor. Noutras ocasiões, o elefante-pintor parece interrogar-se sobre o futuro.As pinturas Bless my cotton socks/Abençoe minhas meias de algodão e There’s no way out/Não há saída exemplificam a diversidade dos temas. Van Gogh pintou as botinas inúmeras vezes, porque elas faziam parte de seu mundo, o mundo dum pintor holandês que, fosse Verão ou Inverno, saía do quarto para reproduzir coisas da Natureza. As botinas são partes significativas da natureza humana. Charles Chaplin tinha nas botinas marca de identidade reconhecida até mesmo por nativos da África quando seus filmes eram projetados no pátio duma aldeia, à noite. Na comédia A corrida do ouro, Chaplin, faminto, numa cabana muito frágil construída no gelo, devora as botinas feitas de berinjela e os pregos feitos de nabo.

Luiz Roberto Benatti

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