O tempo é o senhor da excitação

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Luiz Roberto Benatti

Ao dizer que “O tempo é o senhor da Razão”, referimo-nos a erros e acertos de ação mal-sucedida que deveriam obrigar-nos à reflexão sobre quais seriam as melhores e as piores ações nos próximos embates. Quem perdeu perdido estará, a não ser que volte para nova disputa. Como o tempo é algo fluido que escapa por entre os dedos das mãos, só o apreendemos ou parecemos recuperá-lo num sentido metafórico, como o fez Marcel Proust com o gosto da madeleine, ou nós outros com nossas lembranças de infância, o bife da mama, as brincadeiras de rua. O uso afetivo do tempo é diferente de seu uso prático ou político. As mesmas recordações são contadas de diferentes modos conforme a ênfase que cada um põe nesse ou noutro particular e o calor com que desenvolvemos narrativas pessoais. No partido político, rendemo-nos à voz do chefe: ele determinará o curso do resgate do tempo. No caso dum partido político como o PT, a questão do tempo complica-se em razão dos planos municipais, estaduais ou federal serem assincrônicos, quer dizer, enquanto os Sahão, de 1997 a 2004, ocuparam a prefeitura local, Lula só se enquistou em Brasília a partir de 2003, penúltimo ano dos companheiros de CTV. O discurso de província espelha-se no grande discurso federal. Assincronicidade importante ocorreu na vigência do governo do PSDB com Fernando Henrique Cardoso – de janeiro de 1995 a janeiro de 2003, cujos mandatos coincidiram com 6 anos dos Sahão. Essa ubiqüidade de tempo e espaço deveria constituir-se em tema de reflexão dos companheiros. Mudam-se os temas, altera-se o calor da voz do falante. O PT local não quer se dar conta de que seus temas ficaram anacrônicos nem que o militante dos dias românticos envelheceu, encolheu-se, arrependido, ou então deixou-se substituir pelo prático do bolsa família, a respeito de quem o intelectual do partido divide-se entre profundo desprezo e agradecimento pelo voto. Agora, com a economia em relativo equilíbrio desde FHC, falamos de exportação, rearmamento bélico, no plano mais ampliado, ou de futebol, no dia-a-dia da feira de miudezas. O PT local atrofiou regras básicas da semântica, a tal ponto que confunde os 8 anos da administração anterior com o primeiro da prefeitura atual. Quem ousa falar de corda em casa de enforcado? A prisão dos mensaleiros serve à reeducação ética no uso dos dinheiros públicos. Quem foi para o banco de reserva, terá de esperar que o jogador titular se canse ou machuque o joelho, para voltar ao jogo. O tempo deveria ter sido o senhor da Razão.

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