Facebook, o reino das falácias

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Luiz Roberto Benatti

Como a Lógica escondeu-se na toca do coelho da Alice, cujo mapa grande parte dos freqüentadores do Facebook ignora, a palavra “falácia” virou nome de remédio desconhecido. Se a ignorarmos, o argumento não irá sustentar-se ainda que, diante de causa perdida, eu me lembre de xingar sua mãe. Dizemos, no mais das vezes, o que nos vem à telha. Inúmeras são as falácias, porque muitos são os modos de mentir ou tentar ludibriar, quase sempre com o peito estufado. A falácia não implica em ganhar no grito, mas em gritar como se você jamais conseguisse falar em voz baixa. A falácia mais cotidiana do Facebook é o argumentum ad hominem ou o argumento contra a pessoa. Alguém diz algo ou então você afirma determinada proposição, logo a seguir respondida por outro facebuquista. Incapaz de apresentar contra-argumento lógico, você ataca o autor e não o conteúdo de sua afirmação. Seu argumento é falacioso, portanto falso. Campeã das falácias da famosa rede social é o apelo ao ridículo. Exemplo banal: Pedro diz que 1+1=2, ao que João responde ser essa a coisa mais ridículo até hoje ouvida por ele. O resultado da soma não é nem nunca foi ridículo, mas absolutamente lógico ou de acordo com os pressupostos da Álgebra. Você poderia afirmar que, em Catanduva ou noutras localidades do vasto mundo, os buracos não são abertos pelo prefeito, mas que, por outro lado, são feitos por chuvas pesadas, movimentação de massa asfáltica, tráfego de veículos pesados etc. A essa argumentação, segue-se a falácia do argumento contra a pessoa do prefeito ou o apelo ao ridículo, com vistas à desmoralização do administrador. Argumento candidato ao prêmio falácia do trimestre é o post hoc ergo propter hoc ou depois disso, logo causado por isso, ou a eterna falácia de causa e efeito, como se as coisas se ligassem por passe mágico ou divino desde a aurora dos tempos. Voltemos ao atual prefeito. Se eu penso que tudo está como se a cidade fosse o pior dos lugares do mundo e se, nos tempos afonsinos, tudo andava às mil maravilhas, a razão disso reside no fato de que, porque o prefeito é forasteiro, os forasteiros nos trazerem miséria e destruição. Com a definição obscura, encerra-se hoje a primeira aula sobre falácias. A definição obscura é, por excelência, o argumento dos falsos letrados ou filósofos de araque que dizem, por exemplo, que alguém é esteticamente bonita porque ela se tornou bem-sucedida na vida, como é o caso das celebridades.

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