Esse intermitente objeto do desejo

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Luiz Roberto Benatti

Affonso Macchione gosta de brincar comigo o jogo de que eu não existo. Em contrapartida, eu jogo com ele o jogo da crítica política de quem procura saber atrás de que toco ele está escondido. Affonso não é uma daquelas criaturas que não nos dizem bom dia. Ao contrário, ele diz bom dia, boa tarde, boa noite, sempre na expectativa, tronco rígido, de olho no calendário da próxima década. Perdeu, esperou, voltou, perdeu,esperou, voltou e sentou-se no gabinete por 8 anos. Nunca, jamais e em tempo algum me disse: “Obrigado, meu caro professor, por ter fundado o PSDB com o Bertoni e o Maranhão, e ter-me puxado pelo cadarço do fundo do poço do Maluf para a glória advinda da reforma urbana”. Ele, mais político do que Antônio Stocco, gosta de autodenominar-se grande obreiro. Concordo em parte, mas depois do Sylvio Salles,Stocco e Warley. Um 4º. e honroso lugar para quem começou e não terminou e, quando pareceu ter chegado ao fim, era com material de terceira. Como ele permanece o tempo todo atrás do toco ou no bunker, estranhei que fizesse na semana intervenção de 3 palavras no Facebook abaixo duma imagem colada pelo Bassanetti: a Orlando Zancaner irreconhecível porque estava para se abrir. Affonso escreveu que aquela era a rua de sua casa. Singelo, inocente, puro como o mais puro dos anjos, não fosse que, em 16, os temas da eleição serão obras, urbanização, inclusão social. Quem posta imagens como essa é o Bassa que será capaz de jurar em cruz que se mantém olimpicamente distante da política local. Quem reinventou o processo de recuperação da memória histórica da cidade, com a ajuda da Darcy, fui eu, inventor também, com o Evandro Ceneviva, da Estação cultura. O catanduvense descobriu que havia outra cidade ao lado desta em que vivemos.O conceito de memória conduz à urbanização e, desse modo, semearam-se as 61 pracinhas, moeda de poupança para o retorno. Gaiato advogado do diabo, anotei no Facebook que a OZ (nosso mágico de Oz) deveria ainda chamar-se Alberto Santos Dumont. Não me venham com a parolagem do tanto faz quanto fez: o aviador, além de ético, foi competente. Obras? Urbanização? Memória? Comecemos pela memória: Affonso, num passe de mágica, desapareceu com os 6 museus da cidade quando se deu conta de que acervo não tínhamos mais. Viu-se só, Cidimar Porto: como saber qual o significado da palavra acervo se não tínhamos mais acervo museográfico? Obras? Percorram a Theodoro, visitem o Barro Preto e, se houver tempo, desloquem-se até o Mandaçaí, depois de percorrer as duas margens do São Domingos, dos fundos da rodoviária até a curva dos bombeiros. Urbanização? O Largo do Café/Café da Esquina aguardou por 8 anos que Affonso deixasse de ser garoto amuado sempre disposto a contrariar a vontade de pai e mãe. Quanto ao Bassa, sócio do Affonso na Interativa, ele não é nem nunca foi inocente. Como o chefe, é um direitista convicto.Também foi meu aluno, o que me leva a concluir que tenho mesmo de ficar de olho nos velhos discípulos.

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