Sem ossos para o cão

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Luiz Roberto Benatti

 

“O homem é um animal que faz barganhas: nenhum outro age assim; nenhum cão troca ossos com outro cão.” [Adam Smith]

 

“Mesmo sem dentes, o cão avança sobre o osso.” [provérbio iídiche]

 

 

Para

Maria Solange Benatti

Silésius Benatti

Miranda Benatti

João Elias de Oliveira

Kazuo Kuzuhara

Allysson Mascaro

Alexandre Fontana Berto

Benedito da Conceição Pereira

Renato Scatena Marão

Sylvia Lohn

e também à memória de

 José Paulo Paes

e Osman Lins

que tudo sabiam de cães e gatos.

 

 

[Capa: fotografia de Harry Gruyaert, tomada no Egito para Magnum Photos]

 

 

 

Sumário

 

A insustentável teoria do cão

Um cão, dois cães

James Joyce & o Cão

O cão de François Rabelais

Dante Alighieri & Écuba

Os cães hidrófobos da Bíblia

Manifesto do meu gato

Meu gato & Edward Gibbon

Os cães e o Tao-te-ching

Escola da vida

Ossos do ofício

As palavras

Da arte de se dizer coisas I

Da arte de se dizer coisas II

Amigos dos cães

Meu cão chapado

Fé & Razão

Ressonância I

Ressonância II

Ressonância III

Cão de cego

Paixão canina

Sombras & avatares

Cão bêbado

Lições de Wittgenstein

Pina Bausch

AluSinações

Ponto de vista

 

 

 

 

 

 

A insustentável teoria do cão

 

Com ousadia canina,

o cão de B.F. Skinner

lançou-se no poço

onde havia água e  tremoço.

“O que é isso, seu moço!

Não tem reflexo?”

“Eu, ou você que, o dia todo,  pensa sem nexo?”,

grunhiu baixinho o cão de si  para-si.

Leitor de Jean-Paul Sartre,

Skinner imaginou

que o seu fosse um autêntico

cão- em-si e não um falso para-si.

Desde Sartre & a Argélia,

toda fome é precedida de desmame,

exame de bactérias

& políticas deletérias.

“Enfio-me  no poço,

não posso comer tremoço,

fico sem almoço? O que mais eu ouço?”

“Olhe”, respondeu de modo operante

B.F.Skinner, “que eu faço de você um cão

supersticioso.Fiz antes com os pombos,

em cujos cérebros escavei buracos  e mais buracos.

Desenvolveram Alzheimer:

sem parar,  bicavam grãos de milho. Eu lhes  dava mais e mais,

até que, enlouquecidos,

acreditaram que os grãos vinham de não sei onde,

dos céus, do espírito santo, do nariz do iguanodonte,

porque agora eles podiam  sapatear e cantar como o Fred Astaire.”

“Depois dessa”, pensou o cão,

“saio à chuva para  catar lixo,

à espera dum nicho onde passar a noite sem documento

ou vento que me açoite. “

Boa noite!”

 

 

Um cão, dois cães

 

O cão foi dividido ao meio por Adão

& dele recriaram-se dois cães:

da cabeça ao meio  do corpo,

surgiu um cão e,

do meio do corpo ao rabo,

outro cão se viu.

Beethoven, o cão original e  por inteiro,

mas agora partido ao meio,como o visconde de Italo Calvino, passou a chamar-se Beet & Hoven e,

desde esse dia, não pôde mais reger

a 3ª. sinfonia, fato que deixou furioso

Napoleão Bonaparte.

Beet adorava beterraba e bebia tudo o que via ou recebia,

mas não defecava na calçada ou na pracinha;

Hoven tinha em ordem  o terminal das necessidades,  carecia de boca e insistia em voltar para Havana. Hoven sobreviveu a Beet

e foi eleito o “Cão do ânus”.

 

 

James Joyce & o Cão

 

Garoto pobre em Bray, proximidades de Dublim,

Joyce foi atacado por um cão

e desenvolveu cinofobia.Deficiente ocular,

Joyce espremeu os olhos míopes, olhou para o cão

e perguntou: “Você é um cão ou o Cão, dog ou God?”

O cão desenhou no ar pestilento uns estranhos arabescos com as patas dianteiras, pôs para fora um palmo de língua irlandesa

e emitiu pelos olhos cor de âmbar

estranhos raios coruscantes. Joyce recuou,

pensou nas coxas de Molly Bloom e desmaiou.

Quando voltou a si, falava coisas sem pé nem cabeça

que Stephen Dedalus diagnosticou como ceraunofobia.

 

 

O cão de François Rabelais

 

François Rabelais foi um padre  maluco de pedra:

a primeira missa ele só a rezava para a mãe de Gargantua.

Uma de suas idéias estapafúrdias

foi defender no convento

que o mijo canalizado  de todos os cães franceses

formava, primeiro, um riacho,

depois um caudaloso Sena

com cujos fios de água

Jean Gobelin e o irmão

teceram  ricas tapeçarias.

Sem reclamar da grana curta do marido,

as donas de casa, em vez de gastar com detergente,

deveriam fazer o mesmo com a urina  do cão  no carpete ou abrir um negócio de venda de nitrogêneo.

Nome sugerido para a empresa familiar:

ALCOFRIBAS NASIER, anagrama de Rabelais.

 

Dante Alighieri & Écuba

 

Dante despachou sem direito de devolução

desafetos  e pecadores para o inferno.

Com base em nossa vã filosofia,

achamos que ele deveria ter poupado da pena máxima  criaturas como a troiana Écuba, p.ex.,  que, depois de assistir ao assassínio da filha Polixena, ladrou como um cão. Um tio, depois de ganir como um cão, madrugada alta,  numa colina, foi internado no Juqueri onde recebeu eletrochoques. Dante, disfarçado de enfermeiro, talvez estivesse ali para assuntar e depois refletir se não deveria reexpedi-lo para o Paraíso, já que meu tio  chamava-se Ângelo.

 

Os  cães hidrófobos da Bíblia

 

São tantos os cães da Bíblia, que carrocinha alguma poderia conduzi-los de uma só vez para o canil municipal. No livro de Samuel, você lê que alguém inquiriu  Davi sobre ser ou não um cachorro, já que o rei batia nele com vara, ao que Davi respondeu que não, porque, de fato, o sujeito era pior do  que um cão.Davi dizia tais coisas sem sentir naco de remorso. Noutro passo, afirmaram, de maneira profética, que os cães iriam devorar Jezabel numa nesga de terra de Jezreel, mas que ninguém iria enterrá-la. Os ossos de Jezabel viraram pedra, depois esfarelaram-se. Jezabel era avó de Eco, infeliz namorada de Narciso.

 

 

Manifesto do meu gato

 

Meu gato não se mexeu na poltrona, não ronronou nem pediu filé de sardinha, durante a apresentação de Eiko & Koma, em NY. Depois do espetáculo, em estado de êxtase, meu gato redigiu o seguinte manifesto:

 

1º.)Mova-se para descansar, dormir e sonhar.

2º.)Mova-se para deixar o tempo passar, vicejar e prosseguir lentamente.

3º.)Mova-se para degustar e partilhar.

4º.)Mova-se para sentir o corpo como parte da paisagem e a paisagem como um corpo.

5º.)Seja sensual e reverencie o silêncio.

 

 

Meu gato e Edward Gibbon

 

Tudo o que meu gato leu de Declínio e queda do Império romano o deixou com a pulga atrás da orelha: inflação, falta de escravos, invasão dos bárbaros.” Inflação alta significa que vou comer menos por maior custo; falta de escravos quer dizer que ninguém vai remover meus dejetos e invasão dos bárbaros que a criançada vai amarrar bombinha no meu rabo.” Meu gato lambeu o pelo ventral  com capricho e pensou:”Tudo isso seria uma verdade por inteiro não fosse o fato de os romanos chamarem de cattus tanto os gatos quanto os cães e os ricos botarem no portão de entrada aquele aviso perverso: “Cave canem”. Preciso rever Gibbon.

 

 

Os cães e o Tao-te-ching

 

Nas noites frias de inverno, meu bisavô

gostava de recontar o 5º. capítulo do Tao-te-ching

e todos nós dávamos aqueles tremilições que só os felinos sabem dar.Os gatos podem ser divertidos.  Em primeiro lugar,

havia a complicação metafísica

de se entender que o espaço entre o Céu e a Terra

é como o interior duma flauta, se para nós, cães e gatos, não há ,nesse mundo e no outro, buraco onde

a gente não se meta. A segunda questão, arrepiante,

é aceitar  de mão beijada  que os chineses queimavam numa cerimônia necrófila  cães de palha, cujos restos eram atirados por aí.Eu, heim?

 

 

Escola da vida

 

Pedra, papel, tesoura.

Pedra: alpondras, riacho, peixe: gato.

Papel: feira, jornal, banca de peixes: gato.

Tesoura: escama, rabo: peixe.

Não adianta lutar contra a força das coisas:

o mundo foi feito para os gatos!

 

 

Ossos do ofício

 

“Um osso tem começo, meio e fim,

mas não localizamos mais  os buracos onde meus ancestrais costumavam  enterrá-los.Eis aí um belo enigma com que os cães deveriam ocupar-se nos dias de chuva.”

 

 

As palavras

 

 

Os humanos chamam de “buracão” a um buraco enorme , desses que engolem carro ou velhote desprevenido. Penso que a estupidez dos homens  contaminou-lhes o vocabulário, se não por que não dão  o nome  de “buragato” ao buracão?

 

 

Da arte de se dizer coisas I

 

Se os ingleses querem que chova bastante

logo vão precisar de nós e dos malditos gatos:

“It’s raining cats and dogs.”

No Brasil,   continuamos a “chover a cântaros”,

quando ninguém mais sabe o que é um cântaro!

 

 

Da arte de se dizer coisas II

 

Num dia em que estava particularmente

furioso com Adolf Hitler, Churchill

cunhou a seguinte expressão:

“To lead someone a dog’s life”, em

Português algo como “Desgraçar com a vida de Hitler”. Humphrey Bogart homenageava os cães quase todos os dias: ”To take a hair of the dog that bit you”/”O jeito de se curar duma poderosa ressaca é beber mais uma vez”.

 

 

Amigos dos cães

 

Com o título Le chien andalou,

Luís Buñuel homenageou todos os meus colegas espanhóis.Os cães da Espanha não morrem, mas viram morcego.  João Cabral de Melo Neto, generoso com os cães do Brasil, deu a um de seus livros o título de O cão sem plumas.  Quando soube disso, o meu cão foi desfilar pelado na  Sapucaí.

 

 

Meu cão chapado

 

Antes de fazer uso de drogas, meu cão já demonstrava comportamento imprevisível. Sem parar, repetia  as palavras ovóide, tireóide, andróide e alcalóide. Durante a crise,  seu psicãonalista precisou de 9 sessões para tirar-lhe do sótão esses e outros termos, enfim, parte do dicionário dos hipocondríacos & demais  criaturas abiloladas.

Do alcalóide, meu cão foi para  cocaína, porão onde  afundou  de nariz até aspirar todo o talco. Perdeu o apetite, mas via ossos e carne moída dependurados no quarto-minguante. Em vez de tossir, latia; em vez de latir, mijava no abajur da sala como se fosse o poste da esquina. Na farmácia, pediu serotonina e dopamina. Agora, faz duas semanas que não o vejo: alongou-se. Quem não se conforma é a cadela do vizinho que, desde o sumiço, deu para tricotar o dia todo e chorar na novela das 8.

 

 

Fé & Razão

 

Se algo superior a tudo e a todos existisse de fato, Descartes não teria saído tão feio do útero materno.

Depois da terceira leitura do Discurso do método, meu cão pirou: cresceram-lhe brotoejas na língua e ele latia para o muro branco do cemitério, até que se deu conta duma   fatia de salame hamburguês e pensou: “O salame não existe, nada cheira a salame e eu não tenho fome. Apesar disso, nas minhas circunvoluções cerebrais, existe o desenho dum salame.Quem o botou ali?”

 

 

Ressonância I

 

Cão

mão

fão

siricomão

siricofão

 

 

Ressonância II

 

Cachorro

morro

forro

siricomorro

siricoforro

 

 

Ressonância III

 

Gato

mato

fato

siricomato

siricofato

 

 

Cão de cego

 

 

 

 

Irreparavelmente cego,

desses que só lêem verrugas do tamanho dum gnocchi, meu dono pisou feio na minha pata dianteira e eu virei personagem do Dr. House:

agora, sou um cachorro manco que conduz um cego.

 

 

Paixão canina

 

Endomorfina romântica. Li no Google. Legal, cara!

Serei o Don Juan do bairro.

Quando o mais sarado e atraente dos machos

assediar minha cadela, mordo-lhe os testículos

e levo o par para congelá-lo no freezer.

 

 

Sombras e avatares

 

 

 

 

De repente, na superfície branca do muro

projetei  a sombra de meu pai. Pisquei duas ou três vezes  e, ao olhar de novo para o muro , vi o recorte de meu bisavô. Pensei que tudo isso fosse conseqüência do blefaroespasmo com que a senilidade me presenteou.

Não é se não uma longa corrente  enferrujada que me leva de volta para trás, para depois ejetar-me para um futuro sombrio feito de cães sarnentos & idiotas.

 

 

Cão bêbado

 

 

chove  no Toutou bar da Bélgica onde enterrei a canícula &   rôo vidro do meu olho mastigado  como  porém tímido

aqueles lisos esbranquiçados estarão  descarnados

quando amanhã o sol & a íris esquerda

sem um naco que eu que não a cadela da vizinha

? malditos ossos fosco-pustulentos me dêem coragem

 

 

Lições de Wittgenstein

 

Se o mundo fosse feito de buracos,

um ao lado do outro e outro mais,

na verdade não haveria buracos.

Se a vaca ou o carneiro  não tivessem ossos,

não pensaríamos em ossos

nem na aponevrose neles grudada.

 

 

Pina Bausch

 

árvore plantada entre o pescoço e o púbis pernas-raízes que refluem  e martelam

& ossos feitos de latidos  e tempestade

à noite todos os cães se apunhalam por  cadelas sem eira nem beira

 

 

AluSinações

 

Meu trisavô e seu compadre Andrew sobreviveram à tragédia do Titanic. Apesar disso, toda a nossa  linhagem,

de lá para cá, e ano após ano, prefere silenciar sobre o milagre, porque, em 1912,  um infeliz declarou à imprensa que o navio  foi à pique porque ninguém havia se lembrado de levar um mísero gato para o cruzeiro. “Gato traz sorte”, afirmou o cara. Odeio o mar, tempestade, Leonardo Di Capprio e tudo o que disser respeito ao Titanic.

 

 

Ponto de vista

 

 

 

 

 

“A realidade”, disse o Dr. House, “é irrelevante.”

Pode ser, penso eu com o meu bigode. No entanto, a questão é complicada. Por que? Adoro salmão, mas não gostaria de ser salmão do Oceano Pacífico: eles morrem depois da reprodução.

 

 

 

 

O dia em que o Sol parou

 

 

Luiz Roberto Benatti

 

“Thought the sun is gone, I have a light.” [Kurt Cobain]

 

 

Homenagem  a Hannah Arendt

 

salto de tua morte

para o espaço da fala

que, se adensa no corte,

gesta funda e Cabala.

 

 

Epitáfio para Leon Golub & Nancy Spero

 

Morte, rosa formidável, crudelíssima flor,

às vezes navio rescendendo o doce cedro.

Quando bates à minha porta, íntimo sabedor,

respondo: Entra, flor, não te sabemos ao certo.

 

 

 

 

 

Preparativos para o duelo

 

o ímpeto socou o medo

& o sol atrás do balcão

a verdade me renega

onde mastigo pedras

noite fechada na lua

até sucuri na pele sua

sangue nos dentes

punhal sapiente

nunca soube meu fuso

meu ringue meus drinques

subtraídos & em desuso

homens amontoados

cadáveres dissociados

 

 

 

 

Fios

 

 

 

 

fios de palha de aço desentrançados

gramínea adocicada pelo orvalho

até que num único fio

todo o emaranhado  rútilo dissesse

“Por mim se vai ao Labirinto de Dátilo”

 

Quatro poemas apócrifos

 

 

Lúcia na Sacada com uns Diabinhos

 

 

 

dependurado no varal pelo cós

fotografei-me com o tênis na mão

e uma jaca podre na cabeça:

minha  mãe dirá “você é   louco”

&  a namorada vai destripar o gato.

Lúcia na Sacada com uns Diabinhos

Lúcia na Sacada com uns Diabinhos

Lúcia na Sacada com uns Diabinhos

 

 

No caminho do meio

 

No caminho do meio

e na Estrada do Nada

tinha uma pedra quadrada

tão grande e pesada

que ao chutá-la feri fundo o olho da cara

Na retina colei esparadrapo

água boricada, soda limonada

mertiolate e chocolate

mas nunca mais me esquecerei

do caminho do meio

porque daquele  dia em diante tudo ficou bem feio.

 

 

Poema dos caras de pau

 

Quando nasci

meu pai me atirou na parede

não colei

caí no chão e me esborrachei

 

A turma espiava pelo buraco da fechadura

as garotas peladas no banheiro

no varal as calcinhas azuis

tinham pegadores e desejos

 

Pernas coxas, tetas caídas  e bundas roxas

tudo era pecado

e o pai de cada uma delas

nos arrancava sem dó as unhas

 

O pai de uma delas

tinha bigode de Salvador Dalì

e dentadura de sucuri

Ele se chamava Raimundo

e para nós tinha uma solução:

tapa na cara e beliscão

 

Em noite de lua, ele tomava conhaque

comia salame e lia almanaque.

 

A volta do bebum

 

Cachaça, aqui me tens de regresso

E suplicando te peço tremoço em excesso

Voltei pra beber com os meus chapas

que um dia deixei comendo  raspas

sem grana, cartão ou guardanapo

Ele vomitou!O bebum vomitou novamente.

Acontece que a mina que cruzou  meu caminho

e  usava batom preto e amarelo

me mandou comer farelo.

 

Marilyn Monroe

 

 

Marilan

diazepam

 

Marilen

zolpidem

 

Marilyn

previntim

 

Marilon

mogadon

 

Marilun

todos & + 1

 

 

Amélia translocativa

 

 

 

 

aparas de memória

no poço aberto além

o nome de ninguém

não há risco agora

 

pensar na casa com asa?

a cabeça logo dispara

bebe todo o vinho

na  tarde do estampido

 

minha avó não hesita

e corre à ré para o vento

na porta a tarefa finda

 

 

 

A casa do sol poente

 

gardel  & la cumparsita

o estômago cabe na boca

aqui comprimem-se  primas

descobrem-se nuas na sala

e berram  com  a matrona

desde el dia que te fuiste

siento angustia em mi pecho

um dia todas elas  acabam

põem fogo na saia rendada

queimam cabelos e ventre

vão ao  inferno sem dentes

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