Quattuor

Luiz Roberto Benatti

 As meninas

001

[Menina à esquerda: Para mim, o nome da felicidade é o leite matinal da cabra, o pão, algumas frutas, a escola, a sabedoria da avó. Menina à direita: Para mim, é tudo isso, e a certeza de que as armas serão enterradas num poço e cobertas de lodo negro.]

لفتاة على اليسار: بالنسبة لي هو السعادة اسم الماعز صباح الحليب والخبيقين من أنه سيتم دفنها في حفرة ومغطاة الحمأة السوداء.

Vagabundo

002

não me lembro onde nem quando

já tive  punhos de aço

me chamaram de madraço

virei depois tunante

quando me tornei fumante

engulo  muito cuspe sem parar

fiquei rotundo  saco sem fundo

vou daqui para lá

corro o mundo nauseabundo

roubei colar duma velhota

arrebentaram de pau minha cachola

meganha me deitou na padiola

e me trancou na gaiola

fugi por uma portinhola

na rua pedi esmola

sou nômade

ready-made da miséria

quase virei  antimatéria

li muito até gastar os fundilhos

no asfalto ou nos trilhos

sei quanto vale um milissegundo

na vida dum moribundo

 

Amarcord

003

Il boss è sempre prima e lo dico senza timore di errore: l’unico, il conducente, Benito benedetti che tutto anticipato e reso questo fottuto paese una terra di coraggiosi. Maria, portiamo questa merda puzza. Chi era il bastardo che si alzò nella notte e bevuto mezza bottiglia del mio vino? E ‘stato il nono, cinico e scomunicato.

O chefe é sempre o primeiro e eu digo, sem medo de errar: é o único, o condutor, bendito Benito que a tudo antecipou-se e fez desta merda de país uma terra de bravos. Maria, vamos logo com esta porcaria fedida. Quem foi o desgraçado que se levantou na calada da noite e bebeu meia garrafa do meu vinho? Foi o nono, cínico e excomungado.

Poeira:

monólogo 

004

1ª. mulher: O que a Arte quer é lavar a poeira da vida do dia-a-dia assentada em   nossas almas.

 2ª.mulher: Grave no pó a marca das feridas, no mármore os benefícios.

 3ª. mulher: Fazer poeira ou comer poeira?

 4ª. mulher: Vou-lhes mostrar, enfim, o que vocês mais temem num punhado de pó.

 5ª. mulher: Esconder-se do mundo não passa dum monte de poeira, atitude sem sentido no final das coisas. 

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