É tudo questão de tempo e oportunidade (2ª. versão)

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Luiz Roberto Benatti

O belíssimo filme alemão A onda reafirma o que sempre se soube: que há nas criaturas humanas doses elevadas de obediência cega ao líder autoritário, o qual, ao mesmo tempo em que fará com que cada um dos membros dum partido político sinta-se forte no grupo e que, assim fortalecido, dissolva a própria identidade na massa até parecer-se com uma banana frita, ao manipulá-los, incutirá no conjunto dos integrantes sua particular visão das coisas. A experiência funesta do professor do filme durou apenas uma semana, tempo suficiente, no entanto, para que aqueles alunos se tornassem inteiramente submissos ao condutor, certos, portanto, de que suas idéias jamais deveriam ser questionadas. O chefe pensa por nós e sem ele jamais seremos algo superior ao nada. Não há fascismo sem ressentimento, do mesmo modo que todo ressentimento exprime-se pelo desprezo absoluto ao adversário.Aos amigos tudo, aos inimigos justiça. A mentira nesse caso é ferramenta de trabalho imprescindível. Minta sempre até que a coisa deslavada pareça ser verdade. Quando, a convite do presidente Jango Goulart, fomos a Brasília, cujos tempos eram idílicos e tudo à primeira vista mais simples, assim que nosso grupo do Barão entrou no Palácio do Planalto, o velho Plínio Salgado caminhou em nossa direção e em voz alta perguntou pelos companheiros integralistas de Catanduva: citou vários nomes, muitos dos quais, naqueles dias, residiam no cemitério da 24 de fevereiro. O movimento integralista em Catanduva e região foi numeroso e seus membros tinham saudade de Benito Mussolini, embora jamais o tivessem conhecido. Mussolini sabia das coisas: em 1914, quando a Primeira grande guerra eclodiu, ele fundou os Fasci d’azione revoluzionaria e, ao término da batalha, em 1918, os Arditi, grupo armado de punhal e sempre disposto a combater com violência física o adversário. Todos os fascismos são peças de museu velhas e revelhas, tanto é verdade que as técnicas de arte marcial dos arditi foram extraídas do volume Fiore dal liberi da Idade média. Não há fascismo sem retorno do reprimido, quer dizer, não haverá fascismo sem RETORNO. Jamais existirá retorno que não seja monótona repetição do pequeno teatro do mundo. Arranca o toco, disse Jobim, vem o pinhão. A Revolução francesa jamais primou pelo escárnio, ao contrário dos fascismos, pura idiotia de bocomocos.

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