Picasso e o traço essencial

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Luiz Roberto Benatti

Em vez de se limitar a dizer que não compreendeu nada, aprenda a ver. Limpe os olhos até tirar-lhe toda a ramela do cediço. O fogão de lenha foi trocado pelo de gás. Retrabalhe as garatujas do bloco de notas ao lado do telefone. Não obrigue a adolescente a pintar tacho de cobre,porque ela fotografa o tênis com o celular. Mostre-lhe que ela poderá pintar o par de tênis na cadeira, como Van Gogh o fez com as botinas enlameadas. A pintura é pura ousadia ou invenção. Não se preocupe com o sentido – o fantasma que nos aprisiona na masmorra da mesmice. Picasso disse: “Precisei de quatro anos para pintar como Rafael e a vida toda para fazê-lo como uma criança”. Ao descarnar o touro, Picasso apreendeu o essencial. O primeiro é mais parecido com um touro de verdade e o quarto,semelhante à arte criativa.

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