CAXUMBA E TRASORELHO

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Sérgio Roxo da Fonseca

O homem é o elemento mais importante da história do mundo. Guardamos nos nossos corpos e nos nossos espíritos células dos nossos ancestrais mais antigos. Somos herdeiros incontestes do homem da pedra.

Os nossos avoengos aprenderam a falar valendo-se de sinais. Os irracionais também têm suas linguagens. Haja vista os cães que assinalam que nos querem bem, abanando a cauda, ou que nos querem mal latindo raivosamente.

Os nossos antepassados foram mais longe quando transformaram os sinais falados em palavras escritas. Ou, em síntese, num momento importante, os homens aprenderam a ler e a escrever, conseguindo documentar a história de suas alegrias e de suas tristezas. Daí a enorme importância das palavras faladas e escritas.

O pensador Wittgenstein abandonou seus alunos na Inglaterra para dar aulas em escolas primárias do sul da Áustria, afirmando que seus novos alunos faziam perguntas mais inteligentes do que aquelas ouvidas em Cambridge. Por exemplo: “a terceira é gorda por que a quarta é magra”? Ou, “nos jogos olímpicos, futebol, basquete, xadrez são jogos por que correr, saltar, nadar não são jogos”? Resposta: quando o homem cria regras, como nas primeiras hipóteses, os esportes são jogos. Quando é a natureza que cria regras, como na segunda hipótese, não há jogo. O direito, portanto, é um jogo.

O filósofo deixou lições claras e diretas: “os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo”. Ou então, para encerrar o seu primeiro livro: “acerca daquilo de que se não pode falar, tem que se ficar em silêncio”. Portanto, quando mais ampla for a minha linguagem mais poderei falar do meu mundo que assim estará sempre crescendo.

Meu neto Tiago está com caxumba. Fui procurar a origem do vocábulo. Não encontrei nem mesmo no dicionário do genial Silveira Bueno. Mas encontrei o vocábulo usado em Portugal, onde caxumba é trasorelho.

A palavra brasileira parece não ter origem conhecida enquanto a portuguesa define logo o local da doença: “atrás da orelha”, usando uma a linguagem quase matemática tão própria da terra lusitana, onde pau é pau e pedra é pedra.

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