Tapa na cara

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Luiz Roberto Benatti

 Vou revirá-la do avesso: os dedos ficarão impressos na pele que lhe sobrar da cara, vaca cínica. Você ri por entre os dentes um riso velhaco que me deixa possesso, maluco, com vontade de arrebentar porta, guarda-roupa, cadeira, garrafa e urna eleitoral. Tomei uma dúzia e meia enquanto você garimpava pela noite suja uns trocados merrecas. Agora não dá mais: você passou dos 18, as tetas despinguelaram e você só vai com velho desdentado com menos de 200 paus no bolso.Velhote biruta com cheiro de mé e sem dentes: é o fim da picada. Devo admitir que nesse vestido colante, recorte da bunda desenhado na peça, ainda me recordo dos dias menos enferrujados, em que eu tinha mais cabelo, o pedaço do braço esquerdo e a mão que me falta. Vá reclamar na delegacia da mulher. Maria da Penha é o escambau. A fábrica maldita deu-me úlcera péptica e levou-me mão e braço. E tome mais este e outro e outro mais. Você se delicia com a sova que lhe aplico. Sabe o que é pior? Admitir que você votou no Fernando Henrique!Merda de vida. Não confio em quem é metido a intelectual. Sem o governo o que será do meu partido?Depois da aposentadoria por invalidez, fui para o sindicato. O que será do mané aqui?Fui.Nós nos veremos na casa do capeta.

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