Pra mór-di passá u tempu

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Luiz Roberto Benatti [Para o Demá Gomyde]

 

U maió oncero que si avizinhô di nóis aqui foi sindúvida o Lemão do Oio Azulado mais ninhum do

ceis era nascido não qui oceis sorta pum quandu si avista gato bravu na serrinha in noite sem luar. In noite sem luar ocê ove capim margoso crescê bem  pertim  renti do breju e tambiú não vai punhá inscama fora d’água.Não seja não corriquêro, ô sô.  Umas setenta légua pra lá de Deus-mi-livri, o Lemão vivia com uma morena que dexaja o quexo caído doceis tudo que não passa de frangote de leiti instragado pelo insagero di  mimu da mãi. A morena si sentava assim no degrau da casa ondi pertu o giral era uma maravia de caprichado tudo feito do mió pau pelo Lemão mais se ocê oiasse de banda pros pernão  cor de azeitona tomava na fuça uns cascudu qui o Lemão tinha bem uns 9 parmo do carcanhá até o cachaço e inda ocê tinha de botá a artura da cabeça qui parecia bola de capotão.Cê levava nas guampa. Num sei mais o pai falô esse óme sabe impinotizá onça sinão ele num chegaria pertim dum jeito qui óme macho argum iria tentá não coisa duns dois parmo menus inté. Ô fioti de cruizcredu dexa de coçá o dedão imbarriado pruquê causu bão de onça é demorado cê tem de narrá tudo cum jeito e percisão inté du formatu da nuve no dia da morti da maior onça qui inté hoji si viu. Dispois que o Lemão matô a bicha brava ele cortô gaio de peroba de 3 metru de cumprido amarrô as perna do animar num gaio i tratô de chama us capanga fortão du sítio pra levá a bicha pra vila i ele foi reto pra casa do padre que incomendô água benta com chero de rosa pra jogá na bicha com aqueli canutinhu di furinhu i o pade pois uma batina meio roxa e dissi o latinório de ocasião.Mió num sabê.Inté hoji ninguém sabi como se deu o passamentu da onça mais o pai ouviu puraí que o Lemão e a onça se instudaram por duas hora a bicha sentada na bunda e o Lemão de coqui anssim paradão como morão di cerca qui nenhum ventu derruba. O pai contô que o Lemão não triscô i parecia que eli instudava a onça como tratadô de bicho bravu. Quandu a maitaca num vôo baxo passô avuandu o Lemão quasi não teve tempu de virá o corpu pruquê a bicha sartô em cima dele pra arrancá cabeça i o restu mais o Lemão deu um passu largu de banda e rasgô o peitu da onça daqui até o pingulim qui era tão bitelu que divia pesá 300 grama. U Lemão curtiu o coro da onça i veio um lenti da Capitar e pagô uma dinherama  pelu coru. Foi ansim que o Lemão vortô com a negona pras Lemanha bem longi e du otro lado do riomar qui atravessa esse mundo nem sei ondi fica. Agora onça pur aqui não insisti mais só uns gambá fididu qui come pintu novu e chupa ovo de pata.Pode si arrancha qui num vem nem ventu de onça.

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