Superbia sit in homine et in populum vivere superbia

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Luiz Roberto Benatti

 

O velho latinório, em Português, ficaria assim: “A selva está dentro das pessoas e as pessoas continuam a viver na selva”. Essa ubiquidade será talvez responsável em parte pela esquizoidia: onde estou eu que nunca estive em lugar algum? A caverna era escura e nela não havia vinho; a picada na mata teve de ser aberta no muque e o facão era pesado; uns anos mais e o assaltante ficou escondido atrás do toco para tomar o nosso sanduíche de mortadela; um veículo chama-se fox e outro leva na traseira um macaco pendurado no pneu; para o marido a mulher é uma égua e o homem, para ela, um  cavalo; chegou a hora de a onça beber água mas ninguém quer cruzar a pinguela; eu moro na Rua Caitité onde os vizinhos nunca viram um preá e o simpático gavião caça a noite toda para não morrer de fome; o aedes desloca-se das margens do córrego para o terreno baldio à procura de abrigo. Para onde você for, leve consigo a selva porque, como Siegfried, sem ela você não poderá viver já que ninguém por aqui vacinou-se contra a saudade. Quer outra? Na Holanda, a polícia treina águias de porte para atacar drones: aves naturais contra congêneres eletrônicos. Nosso sonho de vida e consumo conspícuo acha-se numa das seções do Museu de história natural de Oslo, razão por que a novela da Globo abre-se com mulher pelada e banho de cachoeira. Picasso é muito urbano para o nosso gosto, espanhol cruel que queria que reconstruíssemos na cidade o mundo perdido dos romanos.

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