Sai o branquelo, entra a negra

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Luiz Roberto Benatti

Enquanto que, aqui no paraíso tropical, nós  nos fazemos  de piedosos e  tementes a Deus, continuamos a tratar  o negro como criatura gerada num buraco negro (longe de nós com seus cheiros), por isso incômoda, impertinente e fora de contexto. Também gostamos de mentir sobre a História ou então torcê-la em favor de belos e velhos  preconceitos: a famosa princesa Isabel só se dispôs a assinar a Lei áurea porque a manutenção do negro no eito dava prejuízo. Quem foi e continua a ser o grande escritor brasileiro? Machado de Assis: negro e epilético. Depois dele? Lima Barreto: negro e cachaceiro. Poeta romântico? Castro Alves: negro metido a besta. Poeta simbolista: Cruz e Sousa: só falava de coisas alvas. Euclides da Cunha, Fernando Henrique Cardoso. Obama, negro, mandou trocar a efígie de Andrew Jackson da nota de 20 dólares pelo retrato de Harriet Tubman. Seria interessante que o meu prestimoso leitor procurasse saber quem foi ela e o que fez e por que os EUA são bem melhores do que nós com nossa santa antipatia para pensar com clareza. [Quando Harriet fugiu do trabalho escravo, publicaram cartaz de recompensa pelo resgate da negra no valor de 300 dólares.]

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