Cauby Peixoto, avalista da aceitação do tipo moreno pelas branquelas da classe média

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Luiz Roberto Benatti

 

Depois duma apresentação, em 1957, as fãs rasgaram a roupa do cantor, dispostas a conferir-lhe o vigor do tronco de nadador e a autenticidade da tez morena. Não conseguiram despi-lo, mas, a partir do acontecimento, a sociedade de classes, desde Karl Marx, fendida de alto a baixo, concluiu que, não só os morenos eram charmosos, como suas filhas poderiam pendurar-lhe os retratos recortados de jornais e revistas na parede do quarto. Gilberto Freyre deve ter ficado muito satisfeito. Temos de agradecer ao cantor a permissibilidade feita à margem da lei. Ele foi considerado o homem mais bonito do País. Por outro lado, no plano pessoal, se Conceição deu-lhe a merecida fama, não ficamos sabendo se era negra ou mulata.Além disso, misterioso anônimo, no morro, a induz a descer, quer dizer, sair do morro e ancorar-se na cidade, razão dos “estranhos caminhos [que] pisou”. Curiosa a contradição, porque a moça desceu “para, assim, subir”. O fato é que a composição fez de Cauby, talvez, o nosso Frank Sinatra, cujo ápice deu-se em dois momentos:”subiu/viu e milhão/Conceição”. Os agudos do cantor vão martelar nosso coração pelos tempos afora.

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