A kiss is still a kiss: Tales Frey na Estação Cultura

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Luiz Roberto Benatti

Por uma hora, dois atores, postos em cena como figurantes andróginos, uma vez que, na vida real, o homem – Tales – atua como mulher e a mulher, sua sobrinha – faz-se de homem, diante dum espelho duplofaciado, beijam-se repetidamente, à medida que se deslocam de maneira discreta pelo espaço cênico. Os beijos, cujos lábios não se tocam,em  razão do interdito marcado pelo espelho,como se fora o avental de madeira  impeditivo de o carneiro cobrir a ovelha, poderiam repetir-se ad infinitum, porque a ação ou inação foi concebida para não se alterar num quadro dramático ou cômico. Como as performances alteram-se ou se modificam de representação para representação, sugeriria ao Tales pensar em   Marina Abramovic, em especial num quadro em que ela, escova à mão, penteia de maneira obsessiva os cabelos enquanto repete as frases Art must be beautiful, artist must be beautiful. Não sei como Frey poderia resolver a questão, já que a bocas em seu quadro não poderiam deixar de beijar,todavia seria desejável que ele fizesse as pazes com a palavra, pela qual ele poderia introduzir  o dramático em sua performance.

 

 

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