O destino é um açougueiro

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Wang Jingzhi

 

o destino é um açougueiro

bem como um cozinheiro

ele usa  minha vida como  carvão e

meu corpo de  utensílios

segura a faca cintilante  numa mão

e minha alma na outra

corta-a em pedaços  delgados

antes de fritá-la

de vez em quando  acrescenta uma porção de óleo

para ver o  fogo queimar com ferocidade

ajunta  duas colheres de molho de soja

e um pouco de azeite e sal também

quando a alma estiver   cozida,  ele já estará com fome

e, desse modo,  deglutirá  minha alma

à medida que a   mastiga, diz ele sorrindo

“Como  tem um gosto bom!”

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