Raduan Nassar & a cólera

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Luiz Roberto Benatti

 O exemplar  de nossa biblioteca pública de Um copo de cólera de Raduan Nassar é o da estréia, pela Brasiliense, e na ficha de retirada e devolução do minúsculo volume lemos que foi lido 4 vezes. As coisas são o que são e não o que gostaríamos que fossem. O livro foi lançado em 1975 e já nasceu coroado e coroado continua, porque acabou de ganhar o Prêmio Camões. Raduan veio ao mundo em Pindorama e estudou no velho Barão, onde foi aluno de Rosa Nassar, sua irmã. O volume é magérrimo, com 74 páginas na edição inaugural. Depois do volume seguinte – Lavoura arcaica – Raduan internou-se numa zona coberta de neblina e silêncio, gesto já preconizado na nota que escreveu sobre si próprio na edição da Brasiliense: “Aliás, se já suspeitei uma vez, continuo agora mais desconfiado ainda de que não há criação artística ou literária que se compare a uma criação de galinhas”. Lemos o volume numa sentada e, ao terminar, poderíamos recomeçar: nada da extrema sensualidade com que se vestiu durante a fatura diluiu-se ou envelheceu. O livro é tórrido e sua brasa deveria ser servida com a cólera do título.

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