Conversa no Bar Ruy Barbossa

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Luiz Roberto Benatti

Há muito tempo que eu não vinha a Catanduva. Quando a conheci, era uma vila próspera e quase tudo nela rescendia a café de boa qualidade. Claro que você não podia  deixar de bebericar café de bule no Café da Esquina, naqueles dias em que aquele ponto era frequentado por homens elegantes, muitos dos quais iam para lá de manhã, bem cedo, ou logo depois do jantar. Apelidaram-na de “Esquina do Pecado” que, sem dúvida, lembra o filme “O pecado mora ao lado”. Os prefeitos daqueles dias não tinham ido além do Ginásio, mas eram singelos e absolutamente honestos, nenhum  deles afoito para alcançar o poder ou nele permanecer como rato à espreita de queijo meia-cura. O Rio São Domingos, nas cheias, espraiava-se da atual rodoviária até a curva dos bombeiros e, quando transbordava, os passageiros da EFA, depois de desembarcar, tomavam um bote para fazer a travessia do longo trecho inundado sem se molhar. Minha mãe tomou muitas vezes o bote e saltou logo depois do Banco Santander. Ela vinha de Santa Adélia para comprar peças do enxoval na Casa Verde. O celular toca: Alô, sim, já vou tomar meu jato para Varsóvia. Fique de olho em seu namorado.

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