TEOREMA DE PITÁGORAS

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Sérgio Roxo da Fonseca

 

Desde meus tempos escolares, até hoje, os alunos aprendem a enunciar o teorema de Pitágoras, o que era cobrado nas provas mais difíceis: o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos. Os alunos de hoje demonstram que também decoraram o enunciado deixado pelo famoso grego.

Mas há uma questão insuperável. Nem os nossos antigos professores  nem mesmo os de hoje ensinam qual é a serventia prática desse conhecimento que provavelmente revolucionou o conhecimento humano.

Em síntese, a escola ensinou e ainda ensina um conhecimento abstrato sem revelar o valor prático contido na linguagem oculta. Qual é o uso que poderá ser feito com o enunciado? A resposta não foi ensinada nem aos alunos antigos  nem aos novos. Suponho que quase todos. Acredito que alguns escolares guardam consigo o resultado prático da tão famosa revelação.

Ali em cima falo no ato de “decorar”. Os professores antigos também davam aula de Latim. Ensinavam que os romanos acreditavam que a memória dos homens estava depositada no coração e não na cabeça. Como coração em latim é “cor”, ainda que hoje todos saibam que a memória esteja no cérebro, continuamos afirmando que o teorema de Pitágoras, dentre outras coisas boas e ruins, está guardado no nosso coração, ou seja, foram “decoradas”.

Gosto muito do Latim. Nem tanto da geometria. Mas indago, em nome de toda a população escolar antiga e nova, não será possível mostrar aos alunos a ponte existente entre o conhecimento abstrato, ligando-o, tanto quanto possível, com o conhecimento prático? Será uma revolução no nosso processo educacional, penso eu. Qual é a utilidade que possa e deve ter o teorema de Pitágoras, como também a origem do verbo “decorar”?

A escola moderna trabalha duramente neste sentido convertendo toda cultura em instrumento de exercício existencial. Erradamente muitos dos contemporâneos jogam pedras nos métodos modernos, afirmando que tudo não passa de “papo cabeça”.

Faço força para aplaudir daqui do Brasil os resultados alcançados pela Escola da Ponte instalada no Norte de Portugal. A Escola da Ponte tem muita coisa para nos ensinar.

[Nota do editor do blogue:Prezado professor, com as escusas de quem usa o giz na lousa alheia, depois de lecionar 45 anos, concluí, como o amigo, que nossas escolas, em geral, nutrem antipatia pelo aluno e o conhecimento.Pitágoras pensou na aplicação prática do teorema, ainda que, naqueles dias helênicos, a urbe não fosse tão prestativa em propiciar ao aluno passante a ocasião de dar com escada de mão, na rua, encostada à parede da loja: a escada abre-se como triângulo apoiada na fachada e, desse modo, o recorte poderá ser calculado, bem como o famoso coração desenhado no ar pelos dedos, lembrados de que deveríamos afirmar com mais frequência que a dita quadratura do círculo é de fato uma triangulação dos quadrados do círculo.]

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