Afonso Macchione Neto inaugurou, em dezembro de 2012,sem livros,  nossa biblioteca pública

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Luiz Roberto Benatti

Para mim, o mundo tem cheiro de livro: cola, tacela, capa, letras, narrativa. Afonso passa ao largo do livro. Correu tanto em 2012, que por pouco não acabou sem fôlego. Ele tinha pressa, muita pressa: alterou ou mandou que alterassem o projeto de reforma do MIS, não trocou as telhas de amianto por cobertura sadia. Quando vieram as chuvas de março de 2013, a água caía aos borbotões das calhas de luz; as portas de vidro, pesadas, da frente não se sustentam na estreita canaleta de alumínio. Chamamos o eletricista para providenciar o conserto da fiação elétrica do auditório: o homem subiu ao teto e ficou  apoiado nas terças (era uma terça-feira). Volumoso, o homem despencou e, não fossem três colegas abaixo, nos dias que correm ele estaria numa cadeira de rodas com o pescoço travado. Quando Afonso foi meu aluno de Literatura  no velho Barão, teve de ler vários livros, dentre os quais O homem invisível e O velho e o mar. Invisíveis eram os livros da inauguração cuja placa ele descerrou;espadarte, pele e osso, devorado por tubarões eram as estantes de aço com milhares de buracos ocos. Teria você tido coragem de ser jocoso a esse ponto?

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