Se eu não me encontro no autorretrato, onde estarei eu?

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 Luiz Roberto Benatti

 O Facebook promove a exposição diária de autorretratos: a presença do outro,como fotógrafo, ficou dispensada. O autorretratado é o lambe-lambe de si próprio. Agora, Jung, poderemos por fim saber quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Quem somos? Um fantasma colorido recortado numa minúscula tela que não conseguiremos jamais tridimensionar nem sequer dar-lhe alma e trazê-la para junto de nós a fim de acariciá-la e dizer-lhe: “Há em você, meu Outro, inexcedível beleza nunca antes revelada. Eu fico a você eternamente grato por me dizer quem sou, já que os caminhos do mundo eram tão largos, que à proporção que eu me inquiria, mais me perdia de mim mesmo”.De onde viemos? Da Galáxia xyz pelos lados dum buraco negro devorador de olhos, sobrancelhas, cabelos esvoaçantes, lábios projetados, nádegas apetitosas. Para onde vamos? Para a boate Pulse, onde perdi meu coração sem que jamais o reencontrasse. Jung foi de fato um idiota que imaginou que o self/selfie pudesse orientar o indivíduo para o conhecimento de si próprio. Nesse inferninho, não posso ser eu mesmo porque me reparti nos que me cercam: esses caras me retalharam, arrancaram de mim pedaços sangrentos, nádegas estroboscópicas. Chega! Vou pôr fim a toda essa merda!

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