Os bajuladores  são  flanelinhas do rei

001

Luiz Roberto Benatti

 

Dos primeiros dias de janeiro de 2013 até a última sessão da Câmara, os flanelinhas do rei, sessão após sessão, repetiram sem tirar nem pôr as falas das três feiticeiras de Macbeth – 1.3.39: “Salve, Macbeth, salve o Senhor de Glamis”; “Salve, Macbeth, salve o Senhor de Cawdor”; “Salve, Macbeth, que (de novo) haverá ser (nosso) rei”. Flanelinhas porque, não fossem o automóvel e o espetáculo, eles ficariam em casa, com chuva ou frio, ou então ressonariam na poltrona com a tevê ligada em A praça é nossa. O que disseram do atual ocupante do gabinete

serviuapenas como motivo para não ficarem calados, já que projeto de lei relevante teria sido  ação cansativa e quem haveria nos céus capaz de obrigá-los a sair da zona de conforto em que vivem?  Pena que a cidade não leia Shakespeare, porque tudo acha-se ali há 400 anos. Macbeth tinha de ser bajulado por Banquo enquanto que as três feiticeiras responderiam pelo coro e, sabidas como eram, estimulariam Macbeth a voltar célere para o poder enquanto arrumariam com capricho a cama da desgraça.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s