O dentista e o crocodilo

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Road Dahl/Benatti

 

sorriso maroto, sentou-se o crocodilo na cadeira do dentista

ele disse: “Olhe aqui a minha boca e veja se  meus dentes estão todos estragados”.

o rosto do dentista ficou lívido. Ele tremeu, agitou-se e perturbou-se.

Murmurou, então: “Terei de dar uma espiada” .

“Faça isso”, disse o crocodilo, “e comece pelos do fundo”,

porque lá no fundão os molares estão um caco só”.

O crocodilo arreganhou as mandíbulas enormes e isso foi uma coisa terrível:

pelo menos três centenas de dentes pontiagudos, claros e brilhantes.

O dentista manteve-se calmo. Estudou a situação à distância.

Pegou a ferramenta mais comprida e foi à procura de cárie.

O crocodilo insistiu: “Eu lhe disse que começasse do fundão, mas você está distante de mim, meu caro amigo, para saber como estão os meus dentes. Faça a coisa certa e enfie a cabeça bem no fundo de minha bocarra”. O crocodilo sorria.

Como um velho apavorado, o dentista esfregou as mãos e chorou com desespero.

Gritou ele:”Posso vê-lhos muito bem daqui!”

Com uma corrente de ouro à mão, uma madame berrou:”Croc, não seja  menino travesso, não repita os velhos truques”.

“Cuidado!”, berrou o dentista e começou a trepar pela parede.

“Ele está atrás de mim e de você para nos devorar!”

“Não exagere”, disse a madame, e abriu-se num largo sorriso: “O croc é inofensivo. É meu bichinho de estimação, meu mui adorável crocodilo”.

 

 

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