Bandidos

001

Bonnie Parker/Benatti

 Billy montou num  cavalo baio
Billy, o garoto, quero dizer
e ele conheceu  Clyde Barrow na montaria
duma  pequena máquina cinzenta

Billy simplesmente retesou  as rédeas
e Barrow parou o  carro
o homem morto falou com o homem vivo
à luz da  estrela da manhã

Billy disse ao garoto  Barrow
é  esse  o jeito como   você monta
num  carro que anda  a 90
metralhadoras lado a lado?

eu só tinha meu cavalo baio
e  meu revólver de 6 tiros testado e fiel
eu poderia atirar, mas eles me atingiram
e um dia eles vão  pegar você!

para   caras  que vivem como eu e você
estão num  jogo de  perdedores
o jeitão  como disparamos  ou  montamos é igual
tudo dá no   mesmo

é o jeito de não perdermos a esperança
pois a morte vai-nos  libertar
porque os vivos estão sempre atrás de você
e os mortos estão atrás de mim

do Leste  ouviu-se  o som
do tropel de cascos  ao  amanhecer
Billy retesou  a rédea e disse
devo  estar em movimento

do Oeste veio o brilho duma  luz
e  o zumbido duma  canção de motores
Barrow com o  pé no acelerador
gritou para trás: ‘Adeus!’

assim, para o Leste,  Clyde Barrow se foi
Billy rumou para  o Oeste
o cara  vivo  não conhece a paz
os mortos não  sabem o que é  descanso

 

[Bonnie era poeta, ao contrário de nossas dondocas ora engaiolados que só sabem lambuzar-se em lojas parisienses. No poema, ela estabelece com precisão comparações entre Billy the kid e o marido Clyde, dois marginais – um vivo, outro morto.]

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