Eu sou pobre, pobre, pobre, ou Abordagem inicial de “Mulher com o pescoço degolado”, de Alberto Giacometti

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Luiz Roberto Benatti

 O espectador talvez olhe de maneira distraída para a escultura de Giacometti – “Mulher com o pescoço degolado” – ainda mais quando se  der conta do título, uma vez que a peça deverá  lembrar-lhe  armadilha de caçar raposa em região nevada.Outra questão provocadora de indiferença é que as fotografias sugerem que a peça seja minúscula. As visões estão incorretas. Iniciemos a análise. Na década dos anos 30s, ao trocar a Suíça por Paris, Alberto instalou-se num ateliê-caverna, cenário de artista pobre porém criativo. Ligou-se aos surrealistas, leitores fiéis de Freud: em suas obras deixavam que aflorasse o inconsciente, o sonho, a vida noturna, portanto os desejos sórdidos ou sublimes. Certa ocasião, Giacometti foi visitado por Donna Madina Gonzaga, futura princesa, por cujo pescoço alongado ele ficou fascinado. Donna não gostou do ar de indigência do estúdio e disse a Alberto que ele nutria especial preferência por bairros humildes. Não se sabe se o artista resolveu dar-lhe o troco degolando-lhe, na escultura, o pescoço. Na peça, a mulher está de costas, deitada no chão, enquanto que o macho a cobre, faca à mão, para executar o sangrento ofício. Temos a impressão também de que se trata duma fêmea insetívora que mata e digere o macho depois da cópula. Não pense o leitor, no entanto, que Giacometti fosse sistematicamente cruel com as mulheres – “Mulher colher” e “Mulher andando” desmentiriam isso.

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