A ditadura de 64 sabia menos do mais

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Luiz Roberto Benatti

A ditadura de Vargas superou a de 64 na arregimentação de intelectuais e, desse modo, aproximou-se bastante do rádio, o cinema, o teatro, a literatura. Em 64, tudo indica que os intelectuais cindiram-se entre aderentes e opositores, mas de tal modo, que os aderentes pareciam ser mais criaturas saídas da névoa espessa de dias passados, católicos mal resolvidos talvez. Quando se trata da censura aos espetáculos, o moço da tesoura precisa passar pela sabatina do alfaiate tarimbado, mas é claro, todavia, que ele fará o risco de giz no pano de acordo com as circunvoluções cerzidas em seu bestunto. Gabriele Tinti casou-se com Norma Benguel nos estúdios da Vera Cruz durante as filmagens de Noite vazia, de Walter Hugo Khoury. A paixão por Norma resgatava a que nutrira por Anna Magnani, com quem  Norma se parecia. No filme, atuaram também Odete Lara e Mário Benvenutti. Logo a seguir, a censura do 64 implicou com o filme que ficou nas latas de celulóide por bastante tempo. Diante da penugem angelical, o censor não sabe se vai ou se fica, mesmo porque as ditaduras não sabem se ficam ou se tropicam.

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