Canção do exílio

001 

Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar �sozinho, à noite�
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

 

[Nota: O poeta trabalhou o poema embasado na idéia de exílio que, no velho Latim, significava a expulsão ou auto-expulsão  temporária ou definitiva para fora da cidade e até mesmo do continente. O poeta estudava Direito em Portugal. O poema é sonoro e tal musicalidade é favorecida pelas redondilhas e a intromissão de lá, cá e sabiá. Assim, ele assenta o núcleo do poema no par latino  hic et ibi, de tal modo, que o cá se refere a Portugal e o lá ao Brasil.Mais ou menos na mesma época, Napoleão Bonaparte foi exilado pelos ingleses em Santa Helena.]

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