José Alfredo Luiz Jorge, o constelizador

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Luiz Roberto Benatti

 

“O encontro de duas pessoas”, afirmou Carl Gustav Jung, “é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambas se transformam.” No caso de José Alfredo,  a reação química  deu-se entre ele e a cidade. Ele assimilou a urbe e dela fez carne e espírito. A transubstanciação não teria sido completa não fosse a memória. José Alfredo tem memória proustiana, quer dizer, ele se lembra com nitidez do sabor de bolo na hora do chá,na infância, e dos habitantes da cidades. Ele  não separou o rico do pobre como se o segundo devesse estar confinado num gueto miserável.Ele é um onímoda, mas não  alguém, como o minucioso relojoeiro, capaz de ocupar-se com coisa única por muito tempo.Ele sobrevoa vários assuntos ao mesmo tempo, amarra-os por baixo e por cima, convoca especialista  que por acaso domine o assunto em questão e vai direto ao ponto. Nele, o que parece ser fruto de improviso na verdade foi gestado por muito tempo, até a maturação plena. A costura do tecido catanduvense com a política estadual e federal foi muito além da tecitura de Antônio Stocco. José Alfredo guardou-se para uma grande festa, ainda na mocidade, entreteve todos os convidados e alavancou a cidade que não foi mais a mesma depois que as bexigas murcharam.

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