Coruja

001

Sylvia Plath/Benatti

 

doze badaladas no relógio desmentidas pela rua principal

o subúrbio de madeira, nuvem cinzenta

iluminado, porém despovoado –

dependurou nas janelas bolos de casamento

 

anéis de diamante, vasos de rosa, peles de raposa

vermelha nos manequins de cera –

moldura envidraçada pela abundância-

emergem de porões profundos

 

de onde   a ave de rapina

ergueu-se  acima do nível

dos postes  e fios, de parede a parede,

com a envergadura sob controle

 

como se levasse correntes, ventre suave

emplumado, temerosa,

à procura do quê? Dentes de rato destripam a cidade

sacudida pelos gritos da coruja

 

[No Brasil, Cecília Meirelles sustenta certa identidade com Sylvia Plath, todavia com a carga dramática suavizada. Essa poeta norte-americana deveria ser lida, assimilada e discutida, como se faz nos dias que correm com Clarice Lispector. Dos poemas de Sylvia emerge uma mulher que assinalou para a diferença entre ser,parecer, estar e permanecer com intensidade jamais vista antes. Por que SP tem dimensões tão grandiosas? Walt Whitman deu a resposta: Para haver grandes poetas deverá existir público numeroso que ouça os poemas.]

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s