Nílton Cândido, longe do fogo, mas perto do frio

001

Luiz Roberto Benatti

 

No último círculo do inferno, segundo a  fabulosa arquitetura  de Dante Alighieri, ficam os traidores, dentre esses  Brutus e Judas, aos quais o grande florentino reservou o frio intenso como castigo. Logo a seguir, e um pouco antes de entrar no Purgatório, de um túnel, o poeta e Virgílio avistam no céu as estrelas que compõem o Cruzeiro do Sul, ao Sul do Equador. É esse o ponto exato de localização do Paraíso. Ilude-se, porém, quem acredita que Catanduva tem seu mapa embutido no Paraíso. Antes, pelo contrário, por força de seus mirabolantes políticos, ela tem-se assemelhado a Dite, cercada por muralhas de fogo, na parte mais profunda do inferno, lugar de culpas terríveis. Dante não foi avesso à política de seu tempo, de modo algum menos efervescente do que a nossa. Dante era guelfo e seus adversários eram gibelinos. Florença era guelfa e os guelfos defendiam o papado, ao contrário dos gibelinos, adeptos do Sacro império romano. Ambas as facções lutavam pelo domínio das cidades. Algo, na essência, mudou? Onde estaria Nilton Cândido e por quanto tempo? Setecentos anos depois da redação do Inferno, recomendaria ao vereador a leitura do poema, tanto pela beleza quanto pelo conhecimento prévio de seu  futuro roteiro nestas paragens.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s