O corvo

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Xiao Kaiyu/Benatti

 

um dia, na classe duma escola primária

aprendi este substantivo

à noite vi suas asas de cores negras como se fossem  paraquedas

desprender-se do céu com  a impressão de que voltariam para os ares

elas recobriram  meu corpo e o de minha irmã pequena

minha irmã caminhou da nogueira do quintal

e, hesitante, recolheu-se ao quarto no bico dum corvo gigante

mais tarde, num país estrangeiro, em meio às ruínas de velhos edifícios

de repente, ergueu-se uma nuvem de corvos como se fossem a premonição da morte

– massa de nuvens sombrias – e eu comecei a pensar em minha irmã

ela se casou com um jovem

na única e pequena rua da vila

numa loja de miudezas

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