Macchione recriou o que tinha sido criado por Stocco

 

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Luiz Roberto Benatti

 

No dia 5 de abril de 1961, há 55 anos, Antônio Stocco promulgou a lei 528 que dava por criado o Museu municipal de CTV que iria fazer-se por seções, isto é, de História, Geografia/mapoteca, Etnografia, Paleontologia, História natural, com as subseções  de Zoologia, Botânica, Mineralogia; Economia do Município, que compreenderia Agricultura, Comércio e Indústria; Numismática, Filatelia, cartas e documentos e Pinacoteca. Há 52 anos, portanto, sabíamos pensar de modo amplo, de acordo com as cabeças largas daqueles dias e a escola à John Dewey. No dia 25 de abril de 2008, Affonso Macchione Neto promulgou a lei 4549 que deu por criado o Museu municipal de CTV (sic!). A velha Lógica de Aristóteles não autoriza a recriação do que foi criado como se incriado fosse, todavia a questão dramática, como foi mencionado neste blogue, é que o segundo ato de criação, na verdade, descriou as criaturas anteriormente criadas, quer dizer, o Museu da imagem e do som, em 1984, por José Alfredo; o Museu de história natural, em 1997, por Carlos Eduardo; o do Imigrante e o do Disco, de 1997 e 1999, ambos promulgados por Félix Sahão. Nossa situação museológica dramatizou-se tanto com a fúria legisferante quanto com o esvaziamento de nossos museus à medida que suas peças foram trocadas por vôos rasantes em aviõezinhos da esquadrilha da fumaça. Se você quebrar a cabeça na tentativa de desvendar o insondável mistério, talvez conclua que o que se aprontou foi um espetáculo farsesco, quer dizer, como não tínhamos mais nada, encontramos um jeito de oficializar-se o estado de indigência patrimonial. O quê fazer? Se o atual prefeito quiser investir uns polpudos trocados, deveríamos encaminhar o existente para um Empty museum, isto é, um Museu vazio, nome que se dá a museus que não exibem objetos ou documentos tridimensionais, mas a oportunidade de o visitante assistir à projeção de ricos acervos com o uso de head mounted displays/elmos presos à testa. Voltaríamos, assim, àqueles dias felizes de Antônio Stocco, porém atualizados.[Para criar o Centro cultural, Macchione mandou que se descriasse o Pedro de Toledo, pertencente ao Estado. Ora, princípio elementar de Direito diz que a lei menor não se sobrepõe à maior, logo, embora descriado, o Pedro de Toledo continua nominalmente a existir, ainda que, do acervo original, pouco tivesse sobrado.]

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