HERMES E AFRODITE

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Sérgio Roxo da Fonseca

Hermes foi um dos deuses mais antigos da Grécia. E a complexidade de sua história gerou uma visão caleidoscópica de sua individualidade. Filho das relações de Zeus com Maia, logo cedo furtou 40 vacas de seu irmão Apolo, sendo logo depois perdoado. O seu nome é uma fonte criadora de muitos vocábulos espalhados até hoje em vários idiomas.

Na Grécia tornou-se patrono dos ladrões, dos viajantes, das estradas, dos comerciantes e até mesmo dos astrônomos. Nas antigas estradas, a sua estátua indicava o caminho a ser tomado pelos viajantes. Cuidava também de guiar as almas destinadas ao inferno.

Data de 1.300 a. C. os trabalhos realizados por um filósofo conhecido como Hermes, o trismegisto, vocábulo que significa “três vezes grande”. Teria escrito 36 livros de filosofia e seis de medicina. A extensa obra, denominada “Corpus Hermeticum”, desapareceu, acreditando-se que tenha sido levada para o Egito. Muitos afirmam que o deus Hermes é mesmo Hermes, o trismegisto.

As obras perdidas de Hermes, denominadas “Corpus Hermeticum”, eram de dificílima leitura porque “fechadas”. Poucas pessoas conseguiam entender. São conhecidas também  como obras herméticas.

Em Roma mudaram o seu nome para Mercúrio, que, como o grego, está sempre por toda parte. É confundido também com Toth, o egípcio. Quando inventaram o termômetro, deram ao metal, que o habita, o nome de mercúrio, já que o deus Mercúrio está sempre se movimentando. Portanto é o Hermes mercurial quem marca a nossa temperatura no termômetro.

A estátua de um busto sem braços chama-se “herma” até hoje, porque muitas vezes o deus Hermes é esculpido sem braços. Os pacotes, dentre outros,  de leite pasteurizado vem sempre “hermeticamente” fechado, vale dizer, fechado pelo deus Hermes.

Estive em um museu na Turquia, numa época em que estudava Hermes. O museu estava vazio de visitantes. Continha estátuas de pedras rusticamente lapidadas. Perguntei a um senhor se havia alguma estátua de Hermes.

Respondeu que não. Tinha uma estátua da filha de Hermes. Levou-me até lá. A estátua de pedra figurava uma mulher levantando a saia e exibindo seu órgão sexual que não era feminino, mas masculino. Uma mulher com órgão sexual masculino na antiguidade?

O guia respondeu que aquela estátua representava a filha de Hermes com a Afrodite, de nome Hermafrodita. Aprendi então que a palavra, muitas vezes de origem ignorada, é o mais antigo vestígio da misteriosa e maravilhosa história da humanidade. Mais ainda: no subterrâneo de todas as frases há sempre um sentido alegórico oculto.

 

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