O efeito MC na atual situação politica local

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Luiz Roberto Benatti

 Embora a expressão efeito MC aplique-se a determinado game, poderíamos, talvez, extrapolá-la para entender o que vem ocorrendo entre nós desde janeiro de 2013. Nesse janeiro, mais ou menos distante, o fantasma do pai de Hamlet apareceu na amurada do castelo e revelou ter sido assassinado  pela mãe e o tio do príncipe com o propósito de os homicidas  ocuparem o poder. Shakespeare não foi cínico a ponto de dizer que o povo poderia ter tomado o poder: não havia povo no sentido leninista ou fascista, portanto manobra alguma poderia fazer com que esses espectros se erguessem de sua miséria para pôr em prática a revolução. Todavia, o bardo inglês foi mestre insuperável em esmiuçar os passos condutores ao mando, seja ele absoluto ou relativo. Em CTV, naquele janeiro, verificou-se um esgarçamento do tecido social que, aos poucos, causou medo e depois pavor na camada ociosa da cidade. De repente, deram-se conta de que poderiam ter sido ludibriados uma vez mais, não por Félix Sahão, mas por um estrangeiro ardiloso cuja geografia mental era desconhecida. O povo endinheirado aceitou a duras penas que, depois de dois mandados seguidos, Macchione deveria sentar-se no banco dos reservas e aguardar o momento do retorno. Havia também a possibilidade de Vinholli pajear a classe mandante, afagá-la,endeusá-la, plantar palmeiras imperiais na torre da igreja. O estrangeiro iniciou um processo novo, aproximado da visão social mais ampla e essa política provocou urticária nos órfãos de Macchione. Ele se associou aos rapazes delirantes da Câmara e, terça após terça, municiava os desafinados da banda com partituras como ali tem um buraco, acolá dois buracos, no fim da rua 48 buracos, além do lixo de luxo que nós ensacamos e botamos na rua, mas os pobres cães famintos aprontaram. O movimento do Volta, Macchione tem contornos estéticos – os perfumados o acham bonitão – e político – com ele teremos a certeza de que continuaremos a comer nosso caviar com champanhe francês. Assim, diria o grande escritor carioca Lima Barreto,vão-se as coisas no reino de Jambom.

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