Tocando o chão

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Max Ritvo/Benatti

 

toco o chão com as palmas da mão

e surto com rinocerontes de granito em meus braços

eles travam meus ombros

a água enodoa minhas costas

e a cabeça raspada

pelo creme da lâmina

 

o tempo está concluído em meu corpo

o tempo de minha mente

à procura da sabedoria

os rinocerontes despencam num poço

e os rostos caem separados

 

quero saber quais foram suas últimas palavras

mas os lábios purpúreos desaparecem

 

toco o chão mais uma vez

mas os rinocerontes vão apenas até o corpo

jamais alcançam a mente

 

eu costumava querer para os meus pensamentos o tempo infinito

agora prefiro doar todo o meu tempo

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