Sapato e chuteira: os deslembrados estão em toda parte

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Luiz Roberto Benatti

 A casa, cujo risco provavelmente foi desenhado por Antônio Zaccaro na segunda metade dos 40s, tem o portão da frente, a janela e a porta de entrada fechados. Juarez, o jogador de futebol, cabelos brancos, está de camiseta, bermuda e tênis. As mãos na cintura lembram a postura tradicional da criatura em campo. Vez ou outra, mas com intervalos cada vez maiores, alguém passava em frente a caminho do Ressurreição e acenava para ele. As gerações mais moças nada souberam dele, se perdeu pênalti ou sofreu fratura no joelho. Os sapatos, montados como escultura minimalista, são de Juarez Machado, desenhista e pintor altamente criativo. Estão ambos esquecidos. O Brasil campeia pela memória num túnel escuro que liga Nenhures a Coisa Alguma, pelos lados de Deus-me-Livre-e-Guarde.

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