Como é que o candidato quer ser visto?

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Luiz Roberto Benatti

 Pelo melhor de si mesmo. De onde vem “o melhor de mim mesmo?” Da relação diária que mantenho com o espelho: os cabelos embranqueceram mas devo estar charmoso porque os atores de hollywood, como é o caso do De Niro, também estão com os cabelos brancos. Se eu me acho charmoso, cabelos brancos empinados na cabeça, por que é que eu apresso o passo, indiferente ao mendigo ou subo o vidro esfumaçado do carro  na esquina, enfim, por que é que eu me enraiveço com esses esquálidos, mal banhados, desgrenhados, chupados pelo craque e a fome? Porque a cidade deveria ser o lugar das pessoas limpas, asseadas, bem alimentadas. Por que então as coisas não são assim? Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. A indiferença é uma máscara que me protege do poço escuro cavado no fundo de mim mesmo e do mundo horripilante à minha volta. A indiferença é a formação reativa feita de espinhos, trovões, raios coruscantes, tapa na cara paterno, solidão, frio. A indiferença é um muro que ergo ao meu redor, logo depois do fosso, ainda que eu saiba que a ponte levadiça possa ser posta abaixo. Sou o rei dum castelo e não venham me chamar de homem sem alma, coisa  vaporosa que eu nem sei se existe. Estou em paz comigo mesmo: sou modesto e maravilhoso. Governarei para os limpos e bem penteados. Talvez eles ganhem na loteria. Eles merecem e eu também.

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