Afonso Macchione ou O futuro de uma ilusão

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Luiz Roberto Benatti

 Sigmund Freud publicou O futuro de uma ilusão em 1927, obra de fundamental importância prestes a completar 90 anos, época em que os catanduvenses chapinhavam no barro Rua 3, atual Rua Brasil, acima. Trata-se de livro menos citado que outros, portanto injustamente esquecido. Freud anotou inúmeros exemplos de ilusão (fantasia que acomodamos na alma como se pudéssemos de fato trocar o Real pelo desejável por força do pensamento). Ilusão para ele era, p.ex., a crença de que somente o mundo indo-germânico seria capaz de erguer uma civilização, ou então o caso da mocinha casadoira que sonha com um príncipe que descerá da carruagem de ouro e diamante em frente de sua casa pobre, à espera de que o cocheiro conserte a roda. Ao vê-la na janela, o príncipe a cumprimentará. Macchione é criatura construída pela ilusão de que, dentre outros feitos, ele nos salvou de nós mesmos para nos colocar num futuro grandioso de que só ele tem a senha. Senha? Cala-te, boca. Macchione jamais confessará estar  errado em tudo o que fez ou deixou de fazer e seu fã clube, iludido, aceitou essa água benta como se, com ele, pudéssemos atravessar o deserto. Explique o fervoroso macchionista por que ele rasgou o anel viário no fundo do leito ribeirinho sem abrir os olhos para a questão social seriíssima de fusão de pobres e remediados ou ricos, na mesma rua, mas de tal modo que os pobres continuassem humilhados e ofendidos em suas casas mal erguidas e  jamais acabadas? Eis aí a razão de ele autodenominar-se administrador e não político. A afirmação só será verdadeira pela metade, já que ao político cabe de fato a missão ou a antevisão de ver o que acontecerá amanhã ou depois. Lula levou o País â breca por ter semeado ilusão e ter prometido aos pobres o paraíso na Terra. Para Macchione, pobre é a criatura que não conseguiu erguer-se do fundo do poço seco sem saber como puxar-se pelo cadarço, por falta de vontade. A visão empresarial de AM serve para que ele administre (dizem) suas 25 empresas. Ele vê a cidade como se ela pudesse ser abarcada por seu olhar faiscante. Para ele, a farmácia é o entreposto de venda de fármacos e não o lugar dos genéricos de José Serra. Isso vale para o cemitério, o lixo, o asfalto, o concreto, a emissora de rádio. O eleitor deverá pensar nisso, porque, no momento, estamos para escolher entre o homem rico que quer ser miliardário e Geraldo Vinholli que vê a cidade e seus habitantes por suas necessidades.

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