The poisoner drank the poison itself/O envenenador bebeu do próprio veneno ou Por quê Macchione não leu Hamle

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Luiz Roberto Benatti

 Por 4 anos, às terças, como se o sagrado ofício de pensar a cidade pudesse transformar-se em missa negra, você & seus diletos coadjutores afiaram a lâmina da espada e a embeberam em poderoso veneno. O saquinho de lixo da esquina da Rua dos Tomates Pelados virou um transatlântico de papéis sujos, latas de conserva, garrafas de boa grapa portuguesa; o buraco tornou-se maior que a fúria dos céus despencada em forma de chuva torrencial. Vocês ficaram bonitões e perfumados, ainda que o perfume viesse da 25 de Março. O que irei eu dizer-lhes se não que coisa alguma neste mundão véio e  sem portêra fica impune para sempre: vocês sorverão do próprio veneno. Antes que pernas e braços começam a formigar, leia a fala de Laertes, no 5º. ato, cena 2: “Hamlet, Hamlet, você está morto. Não há no mundo remédio que o cure. Você não terá nem mais meia hora de vida. A arma traiçoeira está em suas mãos, bem afiada e mergulhada em veneno. Para mim, o plano saiu pela culatra.(…)Não posso falar mais. Do rei é a culpa”.

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