As garras afiadas da Cheetah de Rose Calza

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Luiz Roberto Benatti

 

Sempre que me dou conta de que velhos amigos foram para o mundo largo, experimento ímpetos de que, com minha permanência no pequeno mundo de bolso, serei dissolvido por fortes poções do marido farmacêutico da Sra. Bovary e, desse modo envenenado, gritarei, na praça e sem Fellini, o nome de minha agonia – aix-Marseille, é-MarScila. Entro num túnel, se túnel houver, e a amiga embarca no metrô parisiense com Ezra Pound. Sabe, Rose Calza, “Cheetah” é uma puta- poesia, enquanto as nossas engatinham na sala encardida do segundo verso de Gardel. Como amei sua onça, a prima iauaretê, ou a de Dante, ligeira, à porta do Inferno, agora já não poderei abandoná-la, nua ou vestida, entre rubros flamboyants quase-africanos. O bote é seu, a ressaca é minha. E aí vão para o leitor dois rugidos da onça:

 

Cheetah na farmácia

 

nosso amor/sentido,/mais de cinco/acabou desse jeito,/sem pomada/nem preservativo,/só pra um de nós/virou doença.

 

Cheetah e poetas

 

Interrogado,/concluiu quevedo:/somos cinza,/voltamos ao pó/enamorado./como quer/quasímodo/estamos sós/na noite ou terra/ensolarada./não vejo/além da morte,/nada./no futuro,/seremos todos/puro esquecimento,/assim que/não houver/mais água/ou (indefectível/

silêncio),/súbito/meteoro.

 

[e-mail de Rose Calza: cc@ceciliacalza.com.br]

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