AS PALAVRAS E AS MÁSCARAS

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Sérgio Roxo da Fonseca

 

As proposições lógicas, muitas vezes, são enunciadas mediante símbolos diversos das palavras faladas e escritas. Parecem mais uma fórmula algébrica, mas, com certeza, não são. A vantagem de substituir as palavras por símbolos resulta na precisão. As primeiras podem e devem ter mil e uma utilidades, ao contrário dos símbolos que são apenas o que são. Assim também na Matemática, na Física, na Geometria etc.

As palavras têm um peso muito maior. Num tempo valem algo substituido mais tarde. Muitas vezes, o espaço geográfico altera seu sentido. Apresentam-se como heterossemânticos ou falsos cognatos.

No passado, quase sempre as orações eram pronunciadas em Latim. Registro a segunda parte da Ave Maria: “Santa Maria, mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et hora mortis nostrae”. Conforme é possível entender o vocábulo “nunc” não era “nunca” em Roma, mas “agora”. O apressado traduziria “nunca e na hora de nossa morte”, quando a frase diz exatamente o contrário, ou seja, “agora e na hora de nossa morte”.

As Línguas latinas são ricas nesses  desencontros. Na Argentina “largo” significa “comprido”, o que traz uma enorme surpresa ao brasileiro desavisado.

Na Espanha e nos países de Língua espanhola o adjetivo “esquisito” indica alguma coisa incomum e boa. Um vinho de sabor esquisito é apreciado. No Brasil, o adjetivo significa o que é incomum, mas muito ruim. Aqui uma pessoa esquisita não é de boa companhia.

Nos países de Línguas neolatinas o adjetivo “roxo” significa “vermelho”. Os primeiros italianos aqui chegados, olhando as nossas terras, batizaram-nas imediatamente como “terra roxa”. Como se vê queriam dizer “terra vermelha”. Entendemos erradamente e passamos a chamá-las de “terra roxa”, significado errado que usamos para dar nome a uma cidade da região.

A palavra “sangue” em espanhol é feminina. “La sangre” derramada pelo toureiro na areia é “roja”. O mais famoso símbolo do comunismo é a “Bandera roja”.

Em Francês, o creme que as mulheres passam no rosto é conhecido como “rouge”. O vinho vermelho escuro na Itália chama-se “vino rosso”.

A crítica demonstra que inúmeros erros de tradução surgem exatamente da má compreensão dos heterossemânticos ou dos falsos cognatos.

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