La traviata/A puta, de Verdi

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Luiz Roberto Benatti

 Como ninguém mais lê Alexandra Dumas, poderíamos ouvir La traviata que Verdi foi buscar nA dama das camélias. Estreou no Teatro La fenice, de Veneza, no dia 6 de março de 1853, tempos sumamente efervescentes para os meridionais. Tempos duma política que se diluiu até virar pó porque o Socialismo decaiu como as putas contemporâneas devoradas por AIDS e inanição, mas também porque o conceito de mulher decaída perdeu os antigos contornos românticos para dar lugar ao realismo teatralizado em que o mínimo moral referido por Miguel Reale só poderá ser localizado no velho gramofone do Museu Santo Mário. Pense o leitor nisso ao ler no noticiário da televisão a repetição de arrestos de criaturas enriquecidas pelo sistemático assalto ao poder público rumo ao presídio curitibano com suas companheiras que se esbaldaram em Paris sem a mais mínima elegância de Violeta. Os novos ricos não carecem mais dos amores de putas ocasionais.

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