O TERCEIRO HOMEM

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Sérgio Roxo da Fonseca

 

Em 1945 encerrou-se a penúltima Grande Guerra Mundial. A cidade de Viena era policiada por tropas vencedoras da União Soviética, dos Estados Unidos e da Inglaterra. Eis o cenário do filme inglês “O terceiro Homem”, dirigido por Carol Reed, inspirado num romance  de Graham Greene. Dois famosos atores norte-americanos, Orson Welles e Joseph Cotten, foram os protagonistas. Trata-se de um preto e branco, expressionista. Até hoje constantemente revejo  sua cópia.

Vários acontecimentos históricos cercam a obra. O filme foi o vencedor no Festival de Cannes de 1949 e recebeu o Oscar de melhor fotografia.

Notabilizou-se também por sua música: “The Third Man Theme” composta pelo vienense Anton Karas. Até então as bandas sonoras dos filmes não haviam atingido o mercado. Afirma-se que a equipe do “Terceiro Homem” estava num restaurante quando Anton Karas apresentou a  música. Convite aceito e sucesso com grande sucesso. A música tornou-se imediatamente a mais ouvida no mundo. O fato inaugurou a época na qual as músicas dos filmes – e até das novelas brasileiras – passaram a ter  enorme valor de mercado.

Anton Karas gravou a música tocando uma cítara. Habituados com as valsas vienenses, na mesma hora pensei que a música fosse oriental. Talvez árabe, quando não grega. Mas é genuinamente vienense até porque a Áustria, no passado remoto, foi invadida por povos orientais. A música e a sua reprodução calham à perfeição ao expressionismo do filme. É inesquecível.

Há outro detalhe a ser registrado. Os dois principais atores encontram-se na roda gigante de Viena, que até então era a maior do mundo. Holly diz a Larry que não entende como havia se convertido num criminoso. Os atores descem da cabine da roda gigante e Larry diz a Holly que os novos dias iriam consagrar a conduta do homem violento atropelando todos os limites dos valores da humanidade. Ou seja, uma nova civilização incontidamente violenta estava nascendo com o fim da Grande Guerra de 1945. Em seguida dá sua explicação.

Sustenta com ironia que a Itália quase sempre foi governada por ditadores e gerou Michelangelo, Da Vinci, Dante e Maquiavel. A Suíça há quinhentos anos é democrática e somente conseguiu criar o relógio de cuco.

Graham Greene põe a frase na boca do bandido, com certeza, não só para condená-la, mas também para servir de chave para abrir as portas das incertezas de nossos dias quando se oferece o paraíso em substituição da liberdade, ou a antropofagia em troca da cultura milenar.

 

 

 

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