Stefan Zweig e Arthur Rimbaud

Luiz Roberto Benatti

Se você disser que Zweig foi competente como biógrafo, terá afirmado algo seguramente importante, todavia entendo que você precisaria acrescentar que os ingredientes da fórmula eram exponenciais. Foi o caso do episódio sobre Rimbaud na biografia de Verhaeren. Freud, Gide e Zweig formaram um trio diabólico, capaz de olhar o presente e projetar o futuro – um futuro cinzento. “Die Zukunft” extraído da caixa de Pandora: uma Cultura pós-nietzschiana que se plantou de ponta-cabeça: os campos de extermínio, a Geografia transtornada, as Línguas embaralhadas, os deuses despejados do Olimpo. Zweig falou da paixão de Verlaine por Rimbaud e, numa síntese impressionante, mostrou como a água morna torna-se fervente até o ponto em que, saltitante, quer atirar-se para fora  da caneca e, a partir disso, aquietar-se para  resfriar-se. “O início é simples, o clímax grandioso”, escreveu Zweig. Rimbaud era grande e robusto, com força demoníaca e Balzac, outro filho do Cão, observou que Arthur poderia estar entre os caracteres de Vautrin. Talvez Rimbaud fosse também como uma dessas criaturas musculosas de nossos dias, diplomadas em academia de ginástica, cuja identidade sexual passa a maior parte do dia num limbo indefinido, enamoradas por si próprias.  Victor Hugo referiu-se ao “menino genial” como um Shakespeare criança. Quando o menino enviou alguns poemas ao futuro amante, ele tinha 15 anos. Bastaram-lhe, no entanto, mais 5 anos para ele encerrar a obra congenial, sem lhe acrescentar mais uma linha, e percorrer uma parte do mundo da qual os nossos dias  retiram a argamassa. Em 1872, Verlaine deixou a mulher e os filhos e, com Arthur, montou no pescoço dum cachalote enlouquecido.Rumaram para o desconhecido: Bélgica, Alemanha, Inglaterra, Viena, Balcãs. Álcool e alcova, alcova e álcool. Na Bélgica, Verlaine pregou dois tiros no namorado e ficou preso por 2 anos. Ao sair, apelou para que Rimbaud e ele  se amassem um ao outro em Nosso Senhor Jesus Cristo. Arthur respondeu-lhe que fosse entender-se com Loiola e partiu para a imanência.  Com a ruptura, o moço que começava a envelhecer foi traficar armas na África onde reabriu as portas do “Botequim Ruanda”, com absinto para todos. Procure AR em meio à multidão em fuga.

 

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