Juiz Moro: sabedoria e bom humor

 

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Luiz Roberto Benatti

Pois que direi daqueles que em delícias,
Que o vil ócio no mundo traz consigo,
Gastam as vidas, logram as divícias,
Esquecidos do seu valor antigo?
Nascem da tirania inimicícias,
Que o povo forte tem, de si inimigo.
Contigo, Itália, falo, já sumersa
Em vícios mil, e de ti mesma adversa.

 O juiz Sérgio Moro  chamou a operação de investigação e arresto de Sérgio Cabral do RJ de “Calicute” e isso deveria acionar o despertador de nossos professores de História e Literatura para a obrigação de reler Camões para os discípulos na sala de aula e aprofundar com eles a noção de Geografia, em particular a identidade que sempre nos avizinhou dos lusos. Está lá no canto VII de Os lusíadas a referência à cidade quase-mítica em quase tudo semelhante ao Rio de Janeiro, ora devorado pelo caos e a roubalheira sistemática. Em 1498, Pedro Álvares Cabral (!) e Vasco da Gama aportaram em Calicute, na Índia, na costa ocidental, cujo porto era o mais importante do Malabar. O porto regorgitava com compradores e vendedores procedentes dos países árabes, chineses, da Itália ou Inglaterra,bem como os portugueses. O domínio da cidade estava nas mãos poderosas de Samorin, o senhor do mar. Depois duma tentativa infrutífera de erguer feitoria, saqueada pelos homens do imperador, Vasco da Gama foi morto. À primeira vista, no Brasil de nossos dias, as coisas se fazem de maneira mais burocrática e menos suada e, em lugar da espada, usa-se a caneta, de ouro é claro.

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