Crime e poder

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Luiz Roberto Benatti

 

Muitos eleitores, bem como a Câmara, e a imprensa anoréxica

que escreve à sua moda o diário da cidade, gostariam que CTV

estivesse fora do mundo ou, então, num mundo ao lado, isto é, que

o candidato de minha preferência estivesse revestido de plena santi-

dade, de tal modo que de seus cabelos ralos pingasse óleo santo. Esse

indefectível eleitor quer também que o tal candidato in pectoris pense

na cidade como o espaço de sua casa e que a ela devote amor incondi-

cional. Ele foi eleito porque ama a cidade, quer dizer, ama Catanduva

com crase na incorreta expressão amor À Catanduva. Somos tão fiéis aos

nossos santos de devoção, que os devolvemos ao poder: duas vezes não

foram suficientes para o nossa louvação. Nós o queremos de volta. Nesse

quadro, recomendo ao leitor do blogue que assista aos inúmeros episódios

de Forbrydelsen/Killing ou a crônica (história) dum assassínio. Troells Hartmann,

entre a cama e o gabinete, enreda-se na morte duma garota, estuprada, posta

num carro e atirada num rio. Torço para que o leitor, contemplado pelas luzes

dum improvável neo-iluminismo, acabe por se dar conta de que o poder público,

nos dias que correm impublicável, acorda e vai dormir com a mente voltada para

os próprios interesses. A República está doente e, no momento, sem perspectivas

de cura.

 

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