KIRK DOUGLAS E A IMPRENSA

001

Sérgio Roxo da Fonseca

Leio nos jornais que o ator Kirk Douglas completou cem anos no último 12 de dezembro. Seus filmes ocuparam um espaço muito grande na nossa memória. Especialmente aqueles que tinham um assunto a ser expressado, muito ao contrário do que testemunhamos hoje. Dois deles são os meus prediletos.

O primeiro foi “Chaga de Fogo”. O ator interpretou um investigador de polícia muito eficiente. Ama sua esposa acima de todas as coisas. No entanto, toma conhecimento de um relacionamento amoroso por ela vivido no passado, o que lhe causa uma chaga de fogo. Nem consegue perdoá-la  nem consegue condená-la porque, como já foi dito, tomou conhecimento do fato nos dias presentes.

O investigador transporta então a dor daquela chaga para sua atividade funcional, o que, para aqueles que entendem de psicologia, trata-se de processo bastante comum. O investigador dispara uma corrida para a morte, saltando os limites do consciente, perseguindo a possibilidade de curar a chaga incurável que lhe queima a existência. Eu bem me lembro de que foi o filme que mais emoção havia causado na alma do meu velho pai.

O outro filme chama-se “A Montanha dos Sete Abutres”. Kirk Douglas faz o papel de um jornalista que cobre a notícia de um desmoronamento de uma mina. Um trabalhador sobrevive, mas está preso entre as pedras. As autoridades trabalham para salvá-lo. Ao revés, o jornalista cria todos os obstáculos possíveis para impedir a salvação porque enquanto o trabalhador permanecer sofrendo, ele veicula todas as notícias pela imprensa, não se importando com a tragédia por ele vivida.

Suponho que pretendia provar que existem notícias na imprensa que não são causadas pela vida vivida e protagonizada pelo homem comum, mas, sim, condicionada pelo jornalista que é o autor pessoal dos fatos que encena a tragédia como se fosse um deus escrevendo a história do mundo.

Os dois filmes são inesquecíveis. Difícil, quando não impossível, dizer qual dos dois é o mais significativo porque habitam um espaço enorme da nossa memória.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s