Antes que a desmemória abra novas crateras em nossas lembranças

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Luiz Roberto Benatti

 A eleição de Afonso Macchione em 2005 constituiu-se num momento de esperança para a reorganização da Cultura em Catanduva. Naqueles dias, ele ainda ouvia o coração e se lembrava das lições do velho Barão. Inventamos a Estação Cultura, arrancada que foi dos braços da indigência, local de ajuntamento da esquadrilha da fumaça. Definimos para ela um programa tão consistente, que até hoje serve de parâmetro para o  seu dia-a-dia. Quem não tem rotina orienta-se pela agenda da sina. Seguíamos um pouco o que Antônio Gramsci disse dos intelectuais, missionários da cultura, isso que se faz depois do afã diário e nos fins de semana, de modo que pela Arte você se reeduca e dá ao filho a oportunidade de ele aprender a recolher os grãos de milho semeados ao longo da trilha estreita e escapar à sanha do lobo da ignorância. A monomia obreira não havia acometido o jovem prefeito: 200 praças nascidas do pesadelo do faraó interiorano. Quem sequestrou a alma de Afonso e o levou para o exercício dos gastos sem peias nem ameias, bem ele que parecia ter superado os momentos de incômodo da gritaria dum blogue Eu odeio Afonso Macchione chamado? Depois disso, ele subiu no salto da glória – tacones lejanos.  Macchione é viajado como viajados muitos são os catanduvenses que poderiam ter-se dado conta de que a Cultura, reorganizada, arrecada dinheiro e distribui dividendos como nenhuma outra secretaria, com exceção da Educação e a Saúde, o fazem. George Michael faturou mais do que dezenas de cidades paulistas consorciadas. As duas exposições por nós montadas no salão  da Rua Rio de Janeiro receberam 26 mil pessoas, praticamente o número de votos do triprefeito.  À testa da Cultura a cidade mereceria ver um visionário, louco varrido que fosse antipático a carimbo e contabilidade, todavia preparado para ajudar a província a mergulhar-se de cabeça no sonho. Somente a Cultura permanece, porque o restante vira cinza,  cascalho e poeira de estrelas. Dêem mais para as crianças para que elas cheguem à vida adulta com um pouco mais que o menos.

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