O professor Kant está? Não, meu senhor. Volte em 2070

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Luiz Roberto Benatti

 

Para executar sua famosa escultura do pensador, Rodin usou como modelo um homem cego. Para pensar você não precisa dos olhos mas do bestunto. A imagem de Kant, como homem alquebrado e apoiado numa bengala, mostra o filósofo olhando para baixo na direção dos pés. Kant criou os métodos para você pensar tanto a razão prática quanto a pura e o mundo civilizado nunca mais foi o mesmo. Ele passou a vida em Konigsberg e contam que as donas de casa acertavam por ele o ponteiro do relógio e o início das tarefas rotineiras. “Acorde, Peter, que o professor Kant passou a caminho da universidade.” Os ponteiros do relógio da EFA estão parados há muitos anos e o professor Geraldo Correia troca figurinhas com Buda. Não há dúvida de que Catanduva vai à ré rumo à matroca, mas isso só diz respeito a seus cidadãos que mal se dão conta de que nosso erário público é tão elevado, que alcançou os píncaros dos 450 milhões. Em vez de ser cidade midiática, é a vila do rei Midas. Lembrou-me minha filha que Kant foi assunto da redação da FUVEST que queria do candidato saber o que ele pensa da maioridade plena e como chegar lá. Kant adorava tais temas: a Ética era seu escopo de vida. Kant inventou a expressão “imperativo categórico”, espécie de lacto purga dos fundamentos da moral pública, quer dizer, nossa ação deverá obedecer a princípios benéficos, para, desse modo, ser seguidos pela comunidade. As decisões do administrador não deverão agredir ou afetar outras pessoas. No dia-a-dia, assistir a isso é como ver fantasma de guarda-chuva e capote negro ao meio-dia, no telhado da igreja. De Collor para cá, tiramos do armário o pó envenenado resultante da mistura de coisa pública e privada. O erário público não será revertido à comunidade na forma de saúde, educação, limpeza urbana, Cultura. Tais áreas não passam de fatias de bolo coberto de bolor a cuja massa o poder público acrescentou ovos de realismo longe das vistas do cidadão, a mulher e os filhos. O administrador virou uma espécie de Frankenstein sem medo de punição e, para se locupletar, enlameia a família.

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